De: violões Para: Itamar Assiere

Capa CD Itamar Assiere De: violões  Para: Itamar Assiere

Prezado pianista Itamar Assiere,

Vimos por meio desta dizer da nossa alegria ao recebermos o seu CD, o primeiro em seus trinta anos de carreira, no qual você reverencia a música dos violonistas brasileiros. Aliás, saiba que o nosso querido Villa-Lobos garante que este seu trabalho será o primeiro de muitos. Foi ele quem recebeu o seu álbum, Aos Violonistas (Borandá), e, esbaforido, correu para mostrá-lo a todos.

Que repertório, rapaz! Super bem selecionado, vai de Dori e Dorival Caymmi a João Bosco, de Guinga e Aldir Blanc a Toninho Horta. Coisa fina!

Olhar para nós com olhos de pianista, reconhecer-nos como fundamental para músicos e compositores, é um gesto generoso. O violão, assim como o piano, é a luz que alumia canções, sejam elas dedicadas ao instrumento ou não.

E o violão é uma ferramenta democrática: não há quem não conheça alguém que tenha um. E saiba tocá-lo.

Partimos para a primeira audição do seu trabalho. Aliás, sabia, Itamar, que teve gente que chorou ouvindo o “Choro nº 1”, a obra para violão solo do Villa-Lobos?

Lindão o “Tempo de Futebol”, samba do Marco Pereira, também feito para violão, que você reproduz de forma esplêndida. De forma até, diríamos, corajosa, você nos afaga.

Harmonizando ou improvisando, seu piano é admirável – que sonoridade, vixe Maria! Esplêndidos também os seus convidados: Kiko Freitas, um ótimo batera, e Ney Gonçalves, um virtuoso no contrabaixo.

E veio “Sinal dos Tempos”, do grande Garoto. Fez-se um intenso silêncio. Nós, os violões, entreolhávamo-nos. Quando veio o piano, aplaudimos – estávamos (bem) “vingados”, enfim. Quando a batera se juntou ao piano, deliramos.

“Ô jazz bão, sô!”, bradou um. Apesar de concordarmos, pedimos que ele se contivesse. Seu piano inspira, Itamar. O suingue dá um tempo no ritmo e o baixo elétrico de Guto Wirtti vem arritmo – “Que maravilha!”, gritou quem já bradara. E todos pedimos bis… ui!, que bobagem isso, né?! Enfim…

Ao reconhecer “Aperto de Mão”, música sua em parceria com Meira e Augusto Mesquita, Dino Sete Cordas se levantou e vibrou. A bela melodia fez com que os violões fechassem os zoinhos.

“Bravo!”, gritou aquele que não se contém – emocionados, aderimos. Adoramos ouvir o acordeom do Cristóvão Bastos, assim como celebramos as interpretações do seu piano, Itamar. A batera do Kiko vai nos pratos e Guto Wirtti, no baixo acústico, né? Som bom pra chuchu. Enquanto Meira, a quem chamamos de “meu avô”, só ria.

Olha, Itamar, seu tributo nos fez um bem danado. Depois desse CD, não dá mais pra neguim dizer que violão e piano foram feitos para brilhar apenas nas músicas criadas especialmente para eles. Ora, mesmo numa obra composta especialmente para um, o outro, ou mesmo os dois juntos, também podem brilhar, ué! Você provou isso, Itamar Assiere. Nós o aplaudimos de pé.

Querido, receba carinho igual àquele com que você nos presenteou. Sua visão plural revigora seu talento e o mantém na vanguarda instrumental brasileira.

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

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