Duas cantoras magníficas

Capa CD Claudette Soares Alaide Costa Duas cantoras magníficasClaudette Soares & Alaíde Costa – 60 anos de bossa nova (Kuarup) é um disco que se deve ter sempre à mão, para dele fazermos uso a qualquer tempo da vida, desde os maus até os ótimos momentos. Produzido pelo craque Thiago Marques Luiz, o álbum foi gravado ao vivo no Teatro Itália (SP).

Um breve rufo no prato da batera (Nahame Casseb) antecede a entrada do piano (Giba Estebez, também diretor musical e arranjador do disco) e do contrabaixo acústico (Renato Loyola) tocado com arco. Aberta a porta do bom gosto musical, logo de cara, arritmo, para arrasar mentes e corações ávidos por ouvi-la, Alaíde Costa canta “Onde Está Você” (Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini), a primeira das quatro canções reunidas na primeira faixa.

O piano comanda a mudança de tom para que, também arritmo, Claudette Soares cante “Apelo” (Baden Powell e Vinícius de Moraes). Assim como fez Alaíde, ela vem com a voz emocionada, pronta para tirar lágrimas do ouvinte (e ele não se faz de durão).

“Insensatez” (Tom Jobim e Vinícius de Moraes) vem levemente ritmada, prontinha para ser cantada pela formidável Alaíde Costa. A batera vai com as vassourinhas na caixa enquanto o piano reina, amparado pelo baixo acústico.

Nova modulação para desta vez permitir que Claudette Soares demonstre que seus graves estão com tudo em cima. O piano improvisa e Alaíde Costa chega trazendo a magia que brota de sua garganta, até que as duas se ajuntam e assim vão ao final.

Abro aqui a sessão de “Mixagem é questão de gosto”: imagino que o som do piano ficaria mais adequado se estivesse no mesmo plano do baixo e da batera. Por vezes ele está muito próximo das vozes. Outra coisa: em diversos momentos creio ser excessivo o reverber, tanto no piano quanto nas vozes.

Mas o show prossegue com duas das cantoras mais fascinantes da música brasileira. Mulheres poderosas, donas de seus caminhares, superando modismos e demonstrando seus predicados vocais. Elas são soberbas em qualquer gênero musical que cantem. Dão voz à diversidade que a nossa música sempre revela.

A sensação é que os refletores direcionados a elas nunca se apagam, permitindo que, até mesmo dormindo, elas sigam brilhando, posto que são imperatrizes que corporificam a música que as alumia.

O repertório é coisa fina: dentre muitas outras grandes músicas, Claudette, por exemplo, canta “Oba-La-La” (João Gilberto) – letra em português e em inglês –, com um charme e uma sensualidade que dá gosto ouvir; já Lalá marca presença com “Morrer de Amor” (Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini), canção que desde sempre ela interpreta com intenso sentimento – dois momentos em que o carisma de suas vozes se reafirma.

Antes de se tornarem estrelas da bossa nova, Alaíde Costa e Claudette Soares já brilhavam em outros gêneros. A bossa veio para acrescentar novas harmonias aos repertórios de mulheres com personalidade forte, formosas e emocionantes. Salve as qualidades dessas cantoras, brasileiras graças a Deus!

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

 

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