Eis Manu Saggioro!

Capa CD Manu Saggioro Eis Manu Saggioro!Como eu já escrevi aqui neste espaço, sinto grande alegria ao ouvir um primeiro disco, seja ele de quem for, que me instiga a sair do conforto de minha cadeira. A sensação de que algo novo vem chegando põe-me os sentidos em alerta.

Meus olhos buscam um não-sei-quê que voa alto. Vai ligeiro, pois sabe que o inesperado pode estar ali pertinho, pronto para ser agasalhado por meus ouvidos e pelas dobraduras do meu sentir.

Tal momento se deu agorinha mesmo, ao ouvir o primeiro álbum da cantora e compositora Manu Saggioro: Clarões (independente). Isso mesmo, Clarões – álbum iluminado que leva o ouvinte a acreditar em novas ideias musicais e é o título do trabalho inaugural de uma carreira nascida para viver. Eis Manu Saggioro!

Disco de tirar o fôlego, as belezas vêm desde a capa (concepção gráfica de Juliana Coelho e foto de Luciana Franzolin), que traz o perfil de Manu e seu queixo apontado à frente, como que nos induzindo a acreditar que melhor será o porvir. O longo cabelo esvoaçado para trás. E seu nome e o título do CD em letras douradas sobre um fundo negro.

Outro acerto é a direção artística estar nas mãos de Ceumar, credenciada pela sua vivência musical para estruturar a concepção do disco. Com Rogério Delayon, ela e Manu traçaram as diretrizes dos arranjos para quatro composições só de Manu e duas em parceria, além de oito de outros compositores.

A empatia veio ao primeiro acorde de “Asa da Canção” (Manu Saggioro), que abre o CD. Nesse arranjo, bem como em nove outros, Manu está ao violão. A abrideira tem ainda Adriana Holtz no violoncelo, Emerson de Biaggi na viola e Luiz Amato no arranjo para violinos. Formação enxuta que dá pinta do estilo musical dos arranjos.

“Clarões” (Tetê Espíndola e Tavinho Limma), cantada com voz límpida por Manu, me fez lembrar que algo singular nasceu e me acalentou. O arranjo tem o violão de Manu, a percussão de Antonio Loureiro, o baixo acústico de Daniel Coelho e o acordeom de Guilherme Ribeiro.

Cantando delicadamente as canções, Manu revela que sua aparente fragilidade é, no fundo e no raso, uma demonstração de autoconfiança. Ainda que inconscientemente, a segurança pareça emanar de um amor incondicional por seus fazeres e cantares. Eis Manu Saggioro!

Um samples de tambura (instrumento de origem indiana com cordas dedilhadas num braço sem trastes) protagoniza “Quem Ensinou” (Osvaldo Borges). Cantada por Manu, ora ela dobra a própria voz, ora a soma à voz de Ceumar. A percussão de Ari Colares se junta ao arranjo que rela na tradição, mas abrange a  modernidade.

Em “Moda de Viagem” (Manu e Ceumar), novamente a recordação está presente no violão de Manu, que canta com Ceumar, e na viola caipira de Levi Ramiro.

Clarões é um trabalho que engrandece a novata Manu Saggioro: ela cria no tempo dos pássaros, cujas asas repercutem músicas reveladoras da sua paixão pela criação. E é com ela que Manu alça voo e amplifica a contemporaneidade de ser uma mulher dos tempos de sempre.

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

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