A eterna Aracy de Almeida

Capa CD Marcos Sacramento e Luiz Flavio Alcofra A eterna Aracy de AlmeidaHoje conversaremos sobre o CD Aracy de Almeida – A Rainha dos Parangolés (Acari Records), uma sincera homenagem prestada pelo cantor Marcos Sacramento e pelo violonista Luiz Flavio Alcofra a Aracy de Almeida.

O álbum é fruto de um projeto encomendado pelo SESC Belenzinho a Hermínio Bello de Carvalho em 2014 – um espetáculo comemorativo do centenário de nascimento de sua grande amiga Aracy de Almeida –, evento que ele roteirizou e dirigiu.

Lembro: o Teatro Opinião, no final de 1965, tenta lançar Brasil Pede Passagem, logo proibida pela censura. Para substituí-la, foi criado o show musical Samba Pede Passagem.

Aqui minha memória se abre: junto com Aracy de Almeida, Ismael Silva, Baden Powell, o flautista Carlos Poyares, o Conjunto Samba Autêntico (Tiana, Edgar Barbosa, Bilú, Hélio Cabral, Sidoca e João Laurindo), o Grupo Mensagem (Soninha Ferreira, Sidney Miller, Paulo Thiago, Luis Carlos Sá e Marco Antônio) e o Grupo Partido Alto (Padeirinho, Jorge Zagaia, Leléu da Mangueira e Bidi), lá estava o MPB4.

No show, convivendo com esses monstros, o que muito me honrava e ampliava meus horizontes musicais, conheci Hermínio Bello de Carvalho – desde então, admiro-o muito.

Emocionado, convido-os, leitores a dividir comigo a magia de um CD esplêndido que joga luz sobre Aracy de Almeida, a “Arquiduquesa do Encantado” (como Hermínio carinhosamente também a chama), uma das maiores cantoras brasileiras.

Admiro Marcos Sacramento por ter incorporado a alma de Aracy. Grande cantor que é, suas divisões rítmicas atestam o carinho pela cantora que sempre primou pelo jeito esperto de “dividir” os sambas. Encarnar o espirito libertário do cantar de Aracy de Almeida faz dele um ainda melhor e maior cantor.

Admiro Luiz Flavio Alcofra e seu violão, de som límpido e virtuoso, com o qual brilha nas dezoito músicas escolhidas a dedo do repertório de Aracy. Aprecio, e muito, seus bordões, seus fraseados, suas harmonias. Todo sentimento, todo reverência, tudo vem de seus dedos no violão.

Dentre outras músicas, admiro os dois pela interpretação emocionada de “Triste Cuíca” (Noel Rosa e Hervé Cordovil), “O Orvalho Vem Caindo” (Noel e Kid Pepe), “Engomadinho” (Pedro Caetano e Claudionor Cruz) e “Adeus, Adeus” (Noel, Ismael Silva e Francisco Alves). Também por “Filosofia” (Noel e André Filho), “Camisa Amarela” (Ari Barroso) e “Louco – Ela é seu mundo” (Wilson Batista e Henrique de Almeida), cujas divisões de Sacramento incorporam as que Aracy, provavelmente, não só aplaudiria como dividiria de maneira parecida, e, por fim, pelos comoventes “Último Desejo” (Vadico e Noel) e “Tem Pena de Mim (Hervé Cordovil). Em todas ouve-se o desejo de demonstrar o que Hermínio lhes pediu: tocar a grandeza de Aracy de Almeida.

Ouvindo a linda homenagem prestada a ela por Hermínio, Marcos e Luiz, sinto um imenso carinho por eles.

E a todos os que aqui citei, desde os que já se foram até os que ainda hoje fazem da música seu ofício, o meu respeito.

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

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