Apenas o fim

“Apenas o fim” é um filme ótimo. É uma gurizada de 20 anos de idade, estudantes do Curso de Cinema da PUC-RJ, fazendo cinema de verdade, de nível profissional. Detalhe importante, sem recursos. Só pra você ter uma idéia e entender o espírito da coisa, até rifa de uma garrafa de uísque eles fizeram para conseguir uns trocados.
Você deve estar imaginando que estou exagerando, pois ninguém faz cinema sem dinheiro. Não estou. A universidade emprestou o equipamento, um restaurante bancou a alimentação e, é claro, ninguém ganhou um tostão.
E não fui só eu que gostei. O filme foi selecionado e está concorrendo entre os grandes na Première Brasil, do Festival do Rio, onde disputam produções de gente de primeira linha como Domingos de Oliveira, Selton Mello e Matheus Nachtergaele. Na seqüencia, o filme já está selecionado para a Mostra de SP. E, com o perdão do trocadilho, isso é “apenas o começo”.
Na noite de estréia, no Cine Odeon, o público saiu emocionado. Os comentários eram de surpresa e entusiasmo. “Apenas o fim” tem roteiro e direção de Matheus de Souza. Na apresentação do filme, o diretor chamou ao palco a equipe. Uma enorme turma de amigos que acreditou no sonho de Matheus e pegou junto, foi fundo, com uma dedicação que só se vê em quem faz as coisas com amor. Alegres e divertidos, estavam visivelmente felizes de estar ali.
Matheus de Souza é um talento. Além de dirigir, criou um roteiro brilhante, com diálogos super bem escritos, em uma linguagem coloquial que revela com riqueza de detalhes esse universo único de estudantes universitários, em uma grande cidade, no início do sec XXI.
A fotografia, a edição, a música, a produção, a direção de arte, tudo é muito bom. Os atores Érica Mader e Gregório Duvivier dão um show de interpretação. Não é à toa que já fazem sucesso no teatro e na TV. Os dois fazem personagens fascinantes que, no fundo, podem ser eles mesmos ou os amigos de faculdade.
O filme é autêntico, original, o retrato de uma geração. Uma garotada falando do próprio umbigo, com uma autoridade que só eles têm. É o frescor da juventude com a sabedoria daqueles que são bem informados.
Ah sim, a produção é de Julia Ramil, minha filha. Agora, você vai achar que estou emocionalmente envolvido e não consigo avaliar as coisas com clareza. Não é verdade. Assista ao filme, você vai ver que eu não estou exagerando.
“Apenas o fim” é um filme emblemático. É uma geração falando dela mesma, na sua própria língua, com leveza e maturidade. Nós, os velhos, já podemos nos aposentar. O mundo está em boas mãos.

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