A máquina de sonhos

Há pouco tempo, lançaram nos Estados Unidos uma máquina de programar sonhos. Você escolhe o tema, os detalhes, o clima, liga o aparelho e pronto. Dorme como um anjo.

Estávamos em excursão pelo interior de São Paulo e comentei a notícia com o Kleiton, que é um estudioso do assunto. Ele me disse que é possível fazer isso sem a ajuda de aparelhos e me ensinou a técnica. Consiste em ficar colocando na mente durante o dia, através de pensamentos de repetição, aquilo que se gostaria de sonhar à noite. Ou seja, você perde o dia, mas em compensação ganha um sono bacana, tranquilo, sem pesadelos.

Resolvi fazer uma experiência e passei o dia inteiro pensando e falando na Luana Piovanni. Até entrei na internet para fazer uma fixação de imagem. Encontrei umas fotos lindas dela de biquini na Praia de Ipanema e tive que fazer um esforço de concentração para armazenar tanta informação importante. À noite, com tudo aquilo na cabeça, fiz uma oração a Santo Antônio e fui dormir.

Para minha surpresa, a coisa funcionou.

Sonhei que estávamos num set de filmagem, em Hollywood. Luana e eu éramos os protagonistas de uma nova comédia romântica e rodávamos uma cena caliente. Muito caliente. Cama redonda, lençóis de seda, aquelas coisas. Quando o diretor gritou “corta”, em inglês, profissionalmente me dirigi ao meu trailler para descansar e estudar o texto da cena seguinte.

Mas Luana, confundindo os limites entre atriz e personagem, invadiu meu trailler enlouquecida de amor e de desejo, a fim de fazer da ficção, realidade. Tentei conversar, chama-la de volta à razão, afinal estávamos ali a trabalho, mas ela estava descontrolada.

Debaixo de um calor californiano, no meio de cenas sobrepostas que pareciam coisa de cinema (um drama, dentro de um filme, dentro de um sonho), um telefone começou a tocar insistentemente. Acordei suando, em pleno verão de Ribeirão Preto. Atendi e ouvi a voz de João Schmidt, meu produtor:

– Bom dia! Temos uma hora para estar no aeroporto!

Respirei fundo e me espreguicei. Levantei calmamente, preparei meu chimarrão, li o jornal, tomei meu banho frio e desci para o saguão do hotel. Ao encontrar meu produtor, fui seco e direto:

– Você está despedido!

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