Carnaval

Carnaval é uma festa popular onde as pessoas bebem muito e fazem tudo aquilo que o bom senso não permite que elas façam durante o ano. As mulheres tiram a roupa, os homens se vestem de mulher e por aí vai.

A farra começa na sexta feira, logo após o final do expediente. O sujeito bota uma máscara para ficar no anonimato, cai na gandaia e só aparece de volta na semana seguinte. Quando aparece.

Antigamente havia o corso, um desfile de carros conversíveis com foliões fantasiados de marinheiros e garotas com sarongues e colares havaianos.

Nos salões, moças e rapazes jogavam confete e serpentina uns nos outros, ao som de marchinhas como A cabeleira do Zezé, onde o refrão perguntava “será que ele é? será que ele é?”. Depois a coisa emendava em “vem jardineira, vem meu amor” e seguia com “mulata bossa nova, caiu no halli galli” (pronuncia-se ráli gáli). Não dá pra explicar aqui o que era o halli galli. E nem me pergunte como uma coisa dessas foi parar numa letra de marchinha de carnaval.

Eram tempos mais ingênuos. Lança perfume, acredite se quiser, era usada para jogar nos outros. A brincadeira era dar um susto nas gurias, com um esguicho gelado no pescoço.

Certa vez, quando eu era criança, assisti a uma solenidade onde o prefeito entregava a chave da cidade para o rei Momo, um gordo sorridente com uma coroa dourada na cabeça. Achei aquilo uma temeridade, ficarmos todos entregues nas mãos daquele gordo maluco. Só fiquei tranqüilo depois que meu pai me garantiu que tudo não passava de um gesto simbólico.

Hoje em dia, a folia ganhou dimensão de espetáculo, sem perder em entusiasmo. Existe carnaval em vários lugares do mundo, como New Orleans e Veneza. Mas nenhum é tão animado quanto o nosso.

No Rio de Janeiro existe o tradicional desfile das Escolas de Samba, “o maior espetáculo da terra”, onde alemães, holandeses e dinamarqueses se fantasiam de índios tupinambás com plumas, paetês e lantejoulas.

Na frente da bateria vem sempre a madrinha, uma mulher deslumbrante – dessas que você só vê em revistas – com tudo no lugar, requebrando com desembaraço seu patrimônio na cara dos músicos. O que faz com que o samba enredo seja cada vez mais acelerado.

Infelizmente, na quarta feira de cinzas a festa acaba e a vida volta ao normal. Ao voltar pra casa, você vai sempre poder argumentar que bebeu demais e não sabia o que estava fazendo. É uma explicação ótima. Só não venha me reclamar depois se sua mulher chegar com a mesma desculpa.

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