Mãe só tem uma

mamas e Mãe só tem umaEstá cada vez mais difícil citar a frase “mãe só tem uma”. É que na nova estrutura familiar, em geral, as crianças têm duas mães: a progenitora e a nova namorada do pai. Às vezes surge uma terceira personagem, quando a mãe também aparece com uma namorada.

Quando chega a época do dia das mães, a garotada tem que se desdobrar nas homenagens e nos presentes. E ainda tem que passar pela situação de escrever uma redação na escola, onde o tema é o amor materno e a grandeza dessa figura que nos deu à luz.

Isso me lembrou aquela história da professora na sala de aula.

Mês de maio, dia das mães. A professora resolveu aproveitar a oportunidade e passou um dever de casa para os alunos. O exercício consistia em escrever um texto simples, inspirado na frase “mãe só tem uma”. Cada um deveria descrever alguma experiência vivida e o que pensa sobre o assunto.

No dia seguinte, assim que a turma se acomodou nas cadeiras, ela começou a chamar os alunos, um a um, para lerem em voz alta o que haviam escrito.

O primeiro foi João Paulo, menino exemplar, de bom comportamento.

– Eu estava vivendo um momento muito difícil. Estava triste, pois havia brigado com meu amiguinho no play. Aí minha mãe veio, me abraçou e disse que ia ficar tudo bem. Mãe, só tem uma!

Foi aplaudido e a professora chamou a Gabriela.

– O dever de matemática estava bem complicado, eu não conseguia fazer. Fiquei nervosa e comecei a chorar. Aí apareceu a mamãe que me ensinou como é que faz e eu fiquei muito feliz. Mãe, só tem uma mesmo.

Satisfeita com os depoimentos, a professora agradeceu, esboçou um sorriso e chamou o Vanderson.

– Aêee… Eu tava lá na comunidade, jogando bola no meio da rua e o Coça veio dizer que minha mãe tava lá aos berros, me chamando. Cheguei naquele barraco velho, sujo e caindo aos pedaços, e encontrei ela na cama com um cara que eu não sei quem é. Era outro, diferente daquele da semana passada. Foi só eu botar o pé dentro de casa e ela começou a gritar: “Ô Vanderson, moleque safado, vagabundo.Vai lá na geladeira e me traz duas cervejas!

Eu fui, né, fazer o quê? Abri a porta da geladeira e gritei:

– Mãe! Só tem uma!”.

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