Duña pede a palavra

Duña, o oráculo mór, guardião dos segredos das moléculas e dos vitrais das basílicas, dá novamente o ar da graça. E, sem mais delongas, desova mais uma pílula de sabedoria universal, para regozijo e deleite dos mortais. Segue a íntegra do breve pronunciamento, feito da janela de um busão da Cometa, na quinta-feira passada, quando este fez uma rápida parada na rodoviária de Poço Fundo, MG.

“Não existe a mínima lógica em ser ateu. Por mais que eles, os ateus, batam no peito alegando uma suposta racionalidade em seu argumento (só posso acreditar naquilo que posso provar), desacreditar em Deus é o cúmulo do irracionalismo. E irracionalismo presunçoso.

Observem a formiga. O homem a julga insignificante – não sem razão, é fato, se comparada ao gigantismo físico e intelectual de um ser humano. Caso uma delas saísse de seu formigueiro e ganhasse as praças proclamando a inexistência de Deus, cairia no descrédito e na chacota da opinião pública pela nulidade de seu cérebro, e consequentemente de seu raciocínio.

Contudo, meus mamíferos seguidores, é necessário lembrar que a cachola do homo sapiens é apenas alguns centímetros quadrados maior que a das citadas rastejantes. Há fortes evidências de que somos nós, os homens, as formigas de um plano de vida superior ao nosso, uma mega-Terra habitada por seres com crânios do tamanho da cidade de Ribeirão Preto e até maiores, dependendo do caso.

Ora, tais seres se esborrachariam de rir se nos ouvissem decretando a inexistência de um Criador, já que na perspectiva deles somos reles insetos. Por sua vez eles, os gigantes, seriam insetos de um plano absurdamente maior e mais evoluído. E assim sucessivamente, como aquelas bonecas russas que vão cabendo umas nas outras.

Assim, caros ajuntadores de dinheiro e excretores de urina, recomendo um pouco mais de humildade em assuntos metafísicos. Entre crer e não crer, em nome de Deus, creiam.”

Como a parada na rodoviária era de apenas dez minutos, Mestre Duña deu por finda sua preleção e pôs-se a mastigar um risoles de palmito, gentilmente oferecido por um de seus fiéis discípulos.

Related posts

Comentários

Send this to a friend