No frigir dos ovos

ovim No frigir dos ovosAgora que as eleições já são um fato da história antiga, junto as pontas dos fiapos que me restaram para tecer algumas observações.

Não gostei dos nomes apresentados para a presidência no pleito, mas apreciei a considerável renovação do Congresso nacional.

O efeito das mídias sociais no resultado é inequívoco. Foi-se o tempo em que as emissoras de televisão mandavam beber coca-cola e o eleitor bebia.

Twitter, Facebook e Whatsapp foram instrumentais no resultado final, apesar da proliferação daquilo que chamam de Fake News.

Assistimos, também, uma polarização generalizada jamais vista, com o ódio espumando dos cantos da boca dos eleitores.

O país está fraturado desde que Dilma Rousseff se reelegeu, isso não é novidade. Mas poucos se lembram das artimanhas dos marqueteiros de ambos os partidos naquele segundo turno.

Foi a eleição em que fomos jogados uns contra os outros, e fomos na conversa.

Nortistas, sulistas, pobrinhos e riquinhos, cada um foi para o seu canto, apartados como gado por gente inescrupulosa e irresponsável.

Deu no que deu.

Iniciava-se – ou consolidava-se – ali um precedente muito perigoso. E o resultado do pleito de agora é uma demonstração de que a semente do ódio germinou e frutificou.

Amizades de anos foram interrompidas, famílias inteiras se dividiram, cada lado defendendo com unhas e dentes a sua respectiva opção.

Se Bolsonaro representou uma ameaça à democracia, Fernando Haddad trouxe o estigma dos falhanços petistas e o medo da repetição dos erros do passado recente.

De fato novo, os nomes de João Amoedo e do Cabo Daciolo.

O ‘pitoresco’ Daciolo soa como um novo Enéas ou um pastor Everaldo, aquele que soltou um estrondoso flato durante uma entrevista no Jornal Nacional.

Amoedo é uma incógnita.

Ninguém sabe, de fato, quem ele é.

Tratou-se de um neófito que ainda tem muito o que fazer e provar, antes de ser considerado uma real possibilidade. Não basta chegar bem vestido ao baile. Tem que mostrar o ingresso.

O tempo dirá.

Falemos da corrida pela presidência da república:

O eleitor preferiu ignorar todas as declarações polêmicas de Bolsonaro.

Por mais tóxicas que pareceçam ser. E são.

Por mais sinais inequívocos de truculência e incapacidade de unificar o país que tenha dado, ele venceu.

Nem mesmo os pífios dois projetos aprovados em quase 28 anos no legislativo, foi capaz de afastar a preferência do fervoroso eleitorado. Competência comprovada não foi um fator na hora da escolha.

As falas divisivas, racistas, contra nordestinos, gays e mulheres, sequer arranharam a sua imagem. O que me faz  concluir que o sentimento anti-petismo foi maior, inequivocamente maior.

Até mesmo a facada que o candidato recebeu em Juiz de Fora, acabou contribuindo para a eleição. O eleitor poderia ter pensado, ali, que o candidato estava sendo vítima de seu próprio discurso, mas não foi o caso.

A notícia boa dá a saber que, de cada quatro senadores que tentaram a reeleição em 2018, três não conseguiram.

A Câmara federal, por sua vez, teve uma renovação de  52%. Com isso, 267 novos deputados federais vão assumir o mandato no próximo ano. É o maior índice de renovação dos últimos 20 anos, o que é bom.

O que desanima é a reeleição de deputados como o palhaço Tiririca e a coroação do ator Alexandre Frota, entre outros.

Frota, que se diz defensor da família, da moral e dos bons costumes, é o que todos sabemos ser: um ator pornô.

E Tiririca é o palhaço, que jamais esconder ser quem é.

Quem torcer contra, por mais que seja oposição ao que defende Jair Bolsonaro, precisará tomar uma dose cavalar de democracia.

E na democracia é assim, o povo escolhe, coloca lá.

E é quem tem o poder, caso não tenha ficado satisfeito, de removê-lo da presidência daqui a quatro anos.

Até lá, no entanto, teremos um longo caminho.

E o jeito é caminhar.

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