O genro

pauly O genroQuem tem filha adolescente sabe, chega uma hora em que você vai ter que conviver com o namorado dela dentro de casa.

Lei da vida. Você pegou a filha dos outros, alguém vai pegar a sua.

Em geral, no início o moleque é tímido. Chega devagar, meio sem graça, mas pouco a pouco vai se sentindo cada vez mais à vontade. Até que um dia ele chega à conclusão que aquela é a casa da sogra. E é aí que começa o seu calvário.

Você quer assistir ao Jornal da Globo e ele está vendo o Rock Gol na MTV. Procura leite na geladeira, e não tem mais. Vai fazer um sandwich e o pão acabou.

O abuso aumenta quando “o genro” faz 18 anos, tira carteira de motorista e começa a pegar seu carro emprestado. E nunca enche o tanque.

Minha filha me ligou às 3 da madrugada:

Pai, o carro parou e não quer ligar.

Bateu? Alguém se machucou?

Não, pai. Só parou e não anda.

Por favor, dá uma olhada no ponteiro da gasolina.

Aí você tem que levantar, pegar o carro da sua mulher, um galão de plástico, passar no posto de gasolina e fazer seu papel de pai. Ninguém vai deixar uma filha parada no meio do nada, no meio da noite. Pelo menos nas duas primeiras vezes.

Na terceira vez que isso acontece, você já perdeu a paciência:

– Diz pra esse imbecil do seu namorado que carro precisa botar gasolina!!! Liga pro padre e pede ajuda. Eu tô dormindo.

Domingo passado, por volta de meio dia, eu estava na sala lendo o jornal e entrou “o genro”, com a cara toda amassada:

– E aêeee!

Imaginei que aquele grunhido devia ser algum tipo de cumprimento, uma maneira de dizer de bom dia. Resmunguei uma resposta qualquer e continuei lendo. Pra não parecer antipático, resolvi puxar conversa e comentar sobre a camiseta que ele estava usando:

– Olha só. Acabo de descobrir um ponto em comum entre nós os dois: eu tenho uma camiseta igual à sua.

– Não é minha, não. Peguei no seu armário ontem de noite. Não tinha nada pra botar pra dormir.

Como se já não bastasse pegar a minha filha, agora começou a pegar minhas roupas.

É assim, em pouco tempo esses moleques ficam abusados e vão tomando conta.

Outro dia, ele estava de saída correndo e antes de bater a porta gritou pra mim:

– Aí, rapidinho… Se não for incomodar… Quando você for ao mercado, a minha pasta de dentes preferida é aquela de hortelã… Sabe?

Ninguém merece!

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