O mel das coisas

mel O mel das coisasVamos falar do mel das coisas boas. De mais encontros e menos despedidas. Mais delírios e menos porradas. Mais afeto e menos truculência.

Vamos falar do mel das palavras bonitas e benfazejas. E esquecer o fel daquelas que envenenam e coalham o sangue.

Vamos tecer alegrias e dissolver o rancor. A hora é agora. Afinal, mágoas passadas não movem moinhos.

Precisamos jogar no ralo da vida as amarguras e tristezas que, às vezes, nos fazem sentir como se tivéssemos pregado Jesus Cristo à cruz.

Esse calvário não é nosso. Essa conta já foi quitada há mais de 2 mil anos.

Para que viver com um pé no presente e o outro no anteontem?

É sabido que o passado é uma roupa velha que não nos serve mais. Então, para que insistir em vesti-lo, se as traças do tempo puíram seu vestido e as costuras do terno não resistiram ao tempo.

Para que mastigar reminiscências que magoam?
Por que ruminar o vidro moído do ressentimento?

Aprendamos.

Reconheçamos a proximidade do perigo.

Precisamos nos desviar dele, sequer olhá-lo nos olhos, ignorá-lo, simplificando o ofício de viver.

Recomeçar do zero, se preciso.

Toda manhã é um convite ao recomeço. Cada nascer do sol traz consigo a possibilidade de se reescrever a história a partir de uma página em branco.

Estejamos atentos. Aprumemo-nos.
Acertemos nossos passos.
Desviar do que ficou para trás faz-se necessário.

Enxotemos o fantasma que insiste em voltar quando dormimos, transformando nossas noites em pesadelos. Aprendamos a assustá-lo.

Expulsemos esse verdugo para longe de nós.

Reinventemos as noites, se preciso. O que seria da raça humana sem a capacidade de sonhar?

Sonhemos dias sem tempestade, de céu claro e sol brilhante.

Dias que começam com a grama orvalhada e se encerram com uma lua cheia.

Dias de sorvete de limão para aliviar o calor, de algazarra de crianças brincando e pipa colorida rabiscando o vento.

Dias de música bonita tocando no rádio e notícias boas.
De abraços sinceros e do calor das verdadeiras amizades. Dia de visita de irmão. Dia de colo de mãe.

Dias de sessão de cinema, de pipoca, de chope com os amigos e conversa leve no bar.

Dia de sonhar acordado com um amanhã melhor que o hoje. Esse hoje, que já foi bom.

Vamos falar de futuro.

De quintais embandeirados. De flores de laranjeira e serenata entre amigos.

Tempo de bibliotecas acolhedoras, camas confortáveis, lençóis perfumados, macios, e travesseiros de penas de ganso.

Tempo de quintal com pomar, horta e canteiros coloridos. Tempo de açucenas, margaridas e girassóis. Sonhemos…

Sonhemos poemas e canções.
Sonhemos o companheirismo e a amizade.
Sonhemos com flamboyants sangrando e mangueiras em flor.
Sonhemos…

Sonhemos a cumplicidade das coisas boas, a gargalhada solta, o afago gratuito e o olhar sincero.
Sonhemos…

Sonhemos aquela reparadora viagem a Matchu Pitchu, a Paris, a Havana ou para onde a vontade apontar.

Tomemos coragem para fazer as malas e embarcar no primeiro avião.

Deixemos que o vento nos afague o rosto e nos percamos no azul.

É muito provável que neste se perder resida o se encontrar.

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