Paul McCartney

paul mac 994x1024 Paul McCartneyNão é que eu seja fã do Paul McCartney, sou discípulo dele. Esse cara mexeu no meu corte de cabelo, nas minhas idéias e no meu coração. Sou um artista por causa dele, do John, do George e do Ringo. Quatro garotos de Liverpool que fizeram uma revolução de costumes e mudaram o mundo. O valor artístico da obra dos Beatles por si só já teria sido o suficiente para entortar o eixo da terra. Criaram uma onda tão extraordinariamente poderosa que chegou até às vitrines da Beiro, a loja de discos de Pelotas, onde Kleiton e eu ficávamos horas hipnotizados por aquele som. O mesmo som que rolava nos toca-discos das festinhas e nos ensinava a dizer pras gurias “I wanna hold your hand”. E nos fazia sonhar em fazer canções onde se pudesse gritar: “I don’t care too much for money, money can’t buy me love”.

Nossa reação imediata foi construir uma guitarra elétrica, já que não tínhamos grana para comprar uma pronta. Na marcenaria do velho Ramil, nosso avô, fizemos uma guitarra cheia de defeitos, mas com a virtude de ser parecida com o baixo Hofner do Paul. Na funilaria da General Osório conseguimos uns pedaços de lata e tentamos, sem sucesso, construir uma bateria. Na estréia da banda, no Clube Caixeiral, tivemos que partir pro improviso. Pery, que guardava 2 baquetas do tempo em que tocava tarol na banda marcial do Colégio Joaquim Caetano, em Jaguarão, pegou 4 cadeiras. Uma ele usou para sentar, as outras, transformou em tambores. Yeah, yeah, yeah. Na nossa imaginação éramos uma espécie de Beatles gaúchos.

Kleiton e eu, até hoje, mantemos a força de duas vozes cantando juntas, marca registrada de Lennon e McCartney. Em nossos discos recentes, voltamos a buscar intencionalmente uma sonoridade dos anos 60. E, detalhe importante, fizemos ótimos trabalhos com o produtor Paul Ralphes – um Paul com cara de John – que é inglês e nasceu perto de Liverpool.

Quando Paul McCartney cantou em Porto Alegre pela primeira vez eu estava lá, em êxtase. Foi uma noite histórica. Cantei junto o tempo todo, lembrei da minha infância, do Almôndegas, do Belas Artes, da galera no Beira Rio… Bom demais.

Desta vez não vou estar, é uma pena, vou andar longe cumprindo meu Dharma de cantor, coisa que ele me ajudou a descobrir. E, como bom devoto, sigo pela vida afora sempre escutando e estudando a obra do Mestre, com a reverência de um aluno aplicado que vai à escola todos os dias para aprender um pouco mais.

 

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