Quadrúpede (2ª Parte)

ze ruela Quadrúpede (2ª Parte)A triste realidade para quem tem animal doméstico é que, infelizmente, todo bicho faz cocô e xixi. E não sabe usar o banheiro. Minha esperança é que no futuro, com o avanço da engenharia genética, resolvam esse problema. Por enquanto, neste início do século XXI, ainda temos que lidar com essa situação. E os filhos, você sabe como é, gostam do bônus, mas não querem o ônus.
Um dia desabafei: “isso não é um Tamagochi!!! Alguém tem que limpar as porcarias desse cachorro!”. No acordo que tínhamos feito, eles seriam responsáveis pelo quadrúpede. Inclusive, imaginei que seria um bom exercício de amadurecimento, uma maneira de irem assumindo compromissos, entendendo o sentido da palavra responsabilidade.
No primeiro fim de semana, minha filha decidiu viajar e o moleque queria ir a uma festa. Olharam pra mim e eu citei aquela antiga canção: “Nem Pensar!”. Minha mulher se apresentou como voluntária. Mãe é sempre cúmplice, por mais que os filhos aprontem. É da natureza feminina. Se assaltarem um banco, ela vai até encontrar uma justificativa.
Pois bem, o quadrúpede foi crescendo e ainda não tinha nome. Estava na hora de escolher. Fiz questão de participar, pois a experiência anterior tinha sido traumática: uma pastora alemã que minha mulher se apressou em batizar de Greta Garbo, para que no futuro eu não tentasse colocar como nome de uma filha. Puro ciúme. Não sei de onde ela tirou isso.
Alguns amigos começaram a chamar o pequeno Golden Retriever de Soja, uma referência à nossa família de vegetarianos. Vetei. Muita sibilância. Além de curto e direto, nome de cachorro tem que ser musical. Começaram a surgir as listas. Nomes extravagantes como Neymar, Cão, Uésley, Bagavaguita, Jorge Afonso…
Chegamos a um consenso de que o nome deveria homenagear as artes brasileiras, ter uma certa altivez, carregar o sobrenome da família adotiva – no caso, nós – e da família biológica, do avô paterno Fender. Depois de muita conversa, chegou-se então ao nome de Dom José Pancetti Fender de Virgiliis Ramil, vulgo Zé.
Gostei da decisão. O título honorífico traz uma certa pompa e ressalta o caráter de nossa nobreza familiar. Nobreza, no sentido figurado. Ao mesmo tempo, o apelido Zé não podia ser mais adequado. É tipo assim, um vira lata, um cachorro de rua, como a música popular praticada por certos membros da família.
Além de Quadrúpede, Zé tem sido chamado por outros apelidos carinhosos como Zé Ruela, Bundão, Bicho Peludo, Momoso e Zezim. Recentemente, ganhou até mesmo um nome espiritual: Zé Zen.
Em relação a mim, não se preocupem, estou sobrevivendo. E, não espalha, feliz da vida.

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