Um verão no escuro

Acabou o verão. E fica aquela melancolia, aquela pontada fininha no coração. Não sei se aproveitei o meu verão da forma como deveria.
Não fui à praia.
Não visitei os parques belíssimos de nossa região.
Não incorporei um bronzeado.
Pouco fiz. E, agora, ter sol e calor, em abundância, só no ano que vem.
Em tempos de crise aguda como o que vivemos, devo ter passado a maior parte do tempo como muitos de vocês, que me lêem agora, tentando inventar uma maneira de driblar a crise por que passa o país.
Instalou-se um medo nos corações e mentes. Como se fosse um eclipse, bloqueando luz e calor.
Não seria um disparate afirmar que muitos homens e mulheres de negócios passaram o verão no escuro. Ainda estou procurando o meu botão de “liga e desliga”.
Quem depende de imigrantes para prosperar, salvo raríssimas excessões, patinou, derrapou, alguns saíram da estrada e muitos perderam o rumo.
Sempre fui um otimista. Mantenho-me otimista.
Somente uma nova lei de imigração poderá dar uma reenergizada nesse nosso mercado.
Uma nova lei de imigração abrirá novas perspectivas para muitos. Permitirá que pessoas tirem documentos legítimos, trafeguem pelas ruas sem medo no olhar e saiam da clandestinidade.
Eu acredito que esta lei virá, logo nos primeiros meses da nossa administração.
Seja Obama, seja John McCain, o novo presidente tem diante de si esse desafio de limpar a sujeira deixada pela incapacidade e letargia da presente administração E libertar mais de 20 milhões de indocumentados, que hoje transitam pelas sombras do medo de uma deportação.
George Bush foi o pior presidente da história.
Os números não mentem. O índice de aprovação de seu governo junto de seu povo não mente. Muitos dizem que os americanos pensam e votam com o bolso. E eles se lembrarão disto, agora.
O grande feito de Bush foi estar presidente deste país, quando dos atentados terroristas de 11 de setembro.
Como gratidão, ou algo que o valesse, o povo americano deu-lhe o prêmio da reeleição.
Mas Bush não disse ao que veio. Não correspondeu. Não retribuiu.
Envolveu-se em duas guerras sem o menor fundamento, atolando o país em dívidas e na maior crise de auto-estima de que se tem notícia.
As eleições estão batendo à nossa porta e o estado de pânico e letargia que se instalou é algo que eu desconhecia, nestes 24 anos residente neste país.
Mas tenho fé. Nasci brasileiro, um povo que não desanima nunca. Um povo que tem a cor verde da esperança na sua bandeira e no seu coração.
É por isto e pela fé que tenho na capacidade do povo americano de se reerguer, que continuarei batendo nesta tecla.
Não nos desesperemos.
Perseveremos.
Acreditemos que este quadro é reversível e que melhores dias estão em nosso horizonte.
Continuemos praticando esses gestos laboriosos que fazem de nós cidadãos exemplares, peças importantes desta engrenagem que não pode parar.
Lembrem-se: parar é morrer.

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