Uma notícia muito ruim e outra muito boa

Notícia triste, tristíssima, esta vinda de Santa Maria, Rio Grande do Sul.

O incêndio da Boate Kiss, no coração dos pampas, alertou-nos para problemas seríssimos, e que são tão comuns em terras brasileiras.

Há tempos que não acontecia tragédia semelhante, mas esta era uma tragédia anunciada.

Num país em que a segurança das pessoas é relegada em detrimento do lucro, a contagem final dos corpos não mente.

É preciso que as autoridades coloquem um fim, de uma vez por todas, nisto de os interesses comerciais estarem à frente do bom senso e da segurança das pessoas.

Quanta dor, quanta tristeza, ficou tatuada na pele de tanta gente?

São pais, irmãos, filhos, maridos, esposas, namorados e namoradas, marcados para sempre pelo episódio que deveria ter significado apenas uma noite de lazer, dança, confraternização e entretenimento.

Infelizmente, existem milhares de outras boates Kiss em todo o Brasil, esperando pelo fatídico sinalizador que acenderá uma nova tragédia.

Vejo, no entanto, que existe uma sede de vingança – e não de justiça – se alastrando por todo o país.

Pedem a cabeça dos proprietários da Kiss e se esquecem do que realmente importa.

Existe cupa e existem culpados, sim, mas as consequências daquela noite de janeiro noite bem que poderiam servir para acender a vela da consciência, da conscientização, e se espalhar pelo país como uma semente boa, uma nova luz na escuridão.

Luz para que não aconteeçam novas boates Kiss.

Luz, para que sejam tomadas as devidas providências.

E semente, para que a vida humana e a sua peservação estejam acima da possiblidade do lucro, da ganância e da sede do ganhar sob todas as coisas.

Portanto, rogo que cada vida perdida em Santa Maria sirva de exemplo, multiplicando-se em milhares de vidas salvas no futuro em todo o país.

Justiça, sim.

Vingança, não.

Um erro não justifica o outro.

Nem ontem, nem hoje, nem nunca.

** A notícia boa, para nós, imigrantes, vem de Las Vegas, Nevada.

Na terra dos cassinos, o presidente Barack Obama lançou os dados da sorte de milhões de imigrantes indocumentados, neste que foi um dos discursos mais esperados até aqui.

Tomara que a maioria republicana da Câmara dos Deputados tenha consciência de que uma eventual negativa ao projeto do presidente lhes custará o futuro.

Se o partido republicano não aderir, está selada a sua sorte.

Se assim for, pelos próximos 50 anos, duvido que um único candidato do partido vermelho volte a ocupar a Casa Branca.

Não sou que digo. São os números.

Os latinos – deste grupo fazemos parte, latinos não hispânicos, brasileiros que somos – representam, hoje, 16% do eleitorado americano.

Em 2020, seremos 20%, como atesta o resultado de uma pesquisa recente, encomendado pelo governo.

Em 2050, é plausível, metade do eleitorado americano pode fazer parte deste grupo étnico.

A América mudou, meus amigos.

Os republicanos, não.

O partido continua cego e saxônico.

A América, não.

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