Salve Gal Cost

Capa CD Jussara Silveira e Renato Braz Salve Gal CostO selo SESCSP lançou Fruta Gogoia – Uma homenagem a Gal Costa, álbum que brilha na saudação a uma grande cantora, que completa cinquenta anos de carreira.

Vamos combinar: tem como dar errado um CD com as vozes certeiras de Jussara Silveira e de Renato Braz? Com um seleto time de instrumentistas: Itamar Assiere (piano), Teco Cardoso (sopros), Celso de Almeida (bateria), Swami Junior (violão de sete cordas), Sizão Machado (baixo), Bré Rosário (percussão), e Toninho Ferragutti (acordeom e arranjo para “Fruta Gogoia”, do folclore pernambucano)? E com direção musical e arranjos de Dori Caymmi (ele que ainda toca violão em 12 faixas do disco? É ruim, hein?!

Ao decidir reverenciar uma cantora apresentando músicas já gravadas por ela e interpretadas por duas vozes singulares, Luiz Nogueira, produtor artístico do CD, teve pela frente um desafio.

Nogueira conta que dentre as mais de 500 canções gravadas por Gal ele inicialmente selecionou 80. Até fechar o repertório com 18 músicas – escolhas que ele dividiu com Renato Braz e Jussara Silveira. Com suas vozes raras e mesmo suaves, diferentes do registro de Gal em suas gravações, eles comprovaram que podem, sim, cantar tão variados gêneros musicais e canções que, cada uma a seu tempo, têm lugar reservado em nossa lembrança afetiva.

A escolha do repertório foi acertada, posto que elas tanto definem a personalidade de Gal como trazem à luz a sua evolução musical. Encorpá-las foi desafio que Dori Caymmi topou e para isso criou ajustados arranjos, virtuosamente interpretados pelo septeto instrumental. Por exemplo, belos estão o arranjo e as vozes de Silveira e Braz em “Estrada do Sol” (Tom Jobim e Dolores Duran), música que abre o CD. Belos eles também estão em “Tema de Amor de Gabriela” (Tom Jobim), cujo arranjo para as cordas é lindo.

Cheios de formosura, a voz de Braz e o arranjo musical – destaque para o octeto de sopros – reescrevem com talento e delicadeza a ótima “Pérola Negra” (Luiz Melodia). Braz brilha ainda em “Vapor Barato” (Jards Macalé e Waly Salomão), acompanhado pelos precisos violão de Dori e o sax soprano de Teco Cardoso. Já Jussara e sua voz intensa estão plenas em “Não Identificado” (Caetano Veloso), quando os cellos soam suave; “Meu Bem, Meu Mal” (Caetano), com o límpido violão de Mário Gil; “Volta” (Lupicínio Rodrigues), em que os sopros se destacam; e “Linda Flor – Yayá, Ai Yoyô” (Luiz Peixoto e Marques Porto), cujo piano de Itamar Assiere brilha.

A altivez do disco reside no acerto das escolhas das músicas anteriormente gravadas por Gal, que faz um saudável contraponto com as interpretações de agora por Braz e Silveira, e na harmonia fina dos arranjos, que a mixagem (Mario Gil) adequada dos instrumentistas soube agigantar.

Bora combinar de novo: fala sério! Fala muito sério… Tem como um trabalho que reúne tantas músicas bonitas e tantos grandes músicos numa homenagem a Gal Costa não dar certo?

É ruim um disco assim dar xabu, hein!? Meu Deus!

 

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

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