Apelidos

apelidos 300x256 ApelidosComo já dizia o grande filósofo itaobinhense chamado Otelino Batóia: “Apelido, a gente só pega se ligar pra ele. Eu nunca liguei, levava o caso na graça, por isso nunca tive um apelido na vida. “Aí, o mascate Baratiô perguntou: “Também, com um nome desse, para quê apelido?”

Mas é um negócio sério. Têm apelidos que não se explicam, mas eu vou explicar alguns apelidos engraçados, já que tive oportunidade de conhecer a história dos ditos cujos.

Zé Eduardo, meu conterrâneo e companheiro de pensionato, na saudosa pensão da Rua Januária, 318, era conhecido como Cacá. É claro que Cacá e Zé Eduardo não tinham nada a ver um com o outro, mas Cacá era um eufemismo. O apelido de Zé Eduardo era “Feio”, mas ele não gostava de ser chamado de “Feio”, até brigava. Vânio Bala Doce amenizou o apelido, passou de “Feio” para “Carente de Formosura”, que reduziu para “Carente” até virar “Cacá”, apelido que o Zé Eduardo carrega até hoje, sem maiores problemas.

Numa aula de Física, no Colégio São José, em Teófilo Otoni, o aluno Lioísio, negro, perguntou ao professor Denarte: “Fessô, quê que acontece se eu entrar num foguete e atingir a velocidade da luz? “Você vira luz”, foi a resposta do mestre, completada imediatamente por Juremar Gazinelli: “Luz negra”. Veio daí o apelido que até hoje acompanha o Lioísio.

Em Itaobim, até os anos oitenta, a água era apanhada no Rio Jequitinhonha, em lombo de jumentos e vendida nas casas. “Buscador d’água” era uma profissão respeitada, que a chegada da Copasa desativou.

O Maisa, matadouro de eqüinos e muares, sediado em Itaobim, que exportava carne para Japão e Holanda, acabou com a grande tropa de jumentos. Muitos “buscadores d’água” sobrevivem até hoje na cidade, fazendo biscates, e são muito conhecidos pela antiga profissão. Ozéas é um deles. Só que se você procurar em Itaobim o “buscador d’água” chamado Ozéas, ninguém conhece. Mas “Véi Loeste”, “Loeste” ou, principalmente, “Véi”, todo mundo sabe quem é. O apelido, pasmem, foi dado pelos companheiros de profissão, porque ele adorava a música “Bat Masterson”, que tocava diariamente no alto-falante do cinema: “No velho oeste ele nasceu, e entre bravos se criou…”.Ozéas gostava de cantarolar esta música, que tanto ele como seus companheiros cantavam assim: “No Véi Loeste ele nasceu…”.

Falando em apelido, para finalizar, vou lembrar a escalação do “Grota dos Caianas Futebol Clube”, de Novo Cruzeiro, registrada pelo escritor Dedim de Ciço, no seu livro “A Doce Voz de suas Vidas”:

Nadim

Zé Maria Lobó

Zé Lameu

Rat De Igreja

Peidorrêra

Enxorrada

João Caga Rat

Almunic

Cuador

Cinigristid, e

Alcanfôr.

 

Se esse pessoal jogava bola eu não sei. Só sei que Dedim de Ciço gostava do time e, encerra mais ou menos assim quando se lembra do povo: “Hoje, o único endereço que eu tenho deles é a saudade”.

 

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