Enterro em Novo Cruzeiro

cemiterio 3 300x199 Enterro em Novo CruzeiroEntre Teófilo Otoni e Itaobim
tem o Posto Jangadeiro
margem esquerda da Rio-Bahia
no Pontalete é o primeiro
naquele posto tem uma estrada
que nos leva a Novo Cruzeiro

Visitei aquela terra
e fiquei encabulado
lá conheci gente boa
povo hospitaleiro, educado
gente unida igual aquela
eu jamais havia avistado

Lá em Novo Cruzeiro
havia morrido um cidadão
em setembro de oitenta
morreu de febre e sezão
como era muito querido
ao enterro foi uma multidão

Seis pessoas carregavam o caixão
com um ar bastante sério
e da casa do falecido
até a porta do cemitério
o povo que acompanhava
ia rezando o Mistério

Um caboclo chamado Jeremias
homem bom e trabalhador
que gosta acima de tudo
de comer e fazer favor
resolveu carregar o caixão
com o falecido senhor

Mas como as seis pessoas
carregavam o caixão pesado
Jeremias aproximou do primeiro
e pediu com muito cuidado:
“Deixa eu segurar esta alça
pois você já está cansado”

O rapaz sacudiu a cabeça
e responde sem demora
que não estava cansado
pegou a alça naquela hora
e disse: “Peça ao Lereu
que ele entrega agora”
Mas Lereu também negou
não atendeu o pedido
ia levar até o cemitério
o corpo do falecido
Jeremias se afastou
mas não se deu por vencido

Pediu ao terceiro, ao quarto
mas a alça lhe era negada
o quinto era parente do morto
e como manda a Escritura Sagrada
levaria o corpo do parente
até à sua última morada

Jeremias pediu ao último
que fingiu não escutar
o primeiro largou a alça
para outra pessoa pegar
Jeremias ficou com raiva
mas não pôde reclamar

Queria apenas fazer um favor
segurando a alça do caixão
insistiu mais uma vez
ninguém lhe deu atenção
Jeremias recebeu aquilo
como falta de consideração

Jeremias cruzou os braços
pois já estava brabo
e gritou pros carregadores
vermelho como um nabo:
“Cês quer saber duma coisa?
ENFIA ESSE DEFUNTO NO RABO”.

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