O zabumbeiro

zabumba 300x200 O zabumbeiroA cidade de Rubim, terra natal do meu irmão cantador Rubinho do Vale, sediou de 15 a 23 de julho de 1989 a maior festa cultural de Minas Gerais: o FESTIVALE, Festival da Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha, na sua décima edição. O evento é uma reunião anual, itinerante, de todas as áreas do fazer cultural da região. Homens, mulheres e crianças: artesãos, escritores, cantadores, foliões, pintores, poetas e zabumbeiros, escrevendo a vida do Vale em verso, viola e arte. Cursos, debates, palestras, shows, festival de música, serestas e forró. O próximo FESTIVALE, o trigésimo, acontecerá na cidade de Itaobim, na última semana de julho de 2012. Quem puder ir que vá, para conhecer de perto uma das maiores festas populares do Brasil e conviver com um povo sofrido e lutador, que sabe fazer da arte o retrato vivo das suas lutas e esperanças.
Foi em Rubim que aconteceu um bate-papo entre o Dr. Ivanilson Barros, o Pingo, e um caboclo chamado Gerson, ambos rubinenses. Papo que gerou até uma bonita poesia escrita pelo Pingo. Quem me contou o caso e me mostrou a poesia foi a rubinense Sirlandia.
Pingo é engenheiro e militante do movimento cultural da cidade, e o Gerson é um caboclo que mora na fazenda do senhor Augusto Dutra. Caboclo desconfiado, mineirão, Gerson é incapaz de ofender quem quer que seja. Gente boa, de alma, trabalho e prosa.
O papo dos dois girava sobre os tocadores de zabumba da cidade. Dizia Gerson: “Quá moço, hoje num tem mais zabumbeiro bom como antigamente. Os de hoje ademora pegar o tom. Quando pega num consegue sustentá, o bicho foge.”
Pingo perguntou: “ O que você acha de fulano?” Citou o nome de um zabumbeiro que tocava em folias de Reis e de Boi de Janeiro.
Gerson definiu o zabumbeiro: “Bão, ele num é de se jogar fora, é mais ou menos. Num pode disfazê dele não, mas é um zabumbeiro de segunda…”, e coçando a cabeça, completou: “É… se a gente repará mió, ele é um segunda assim… de premêra.”

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