No case da guitarra de Johnny Urubu

Johnny Urubu vem voando, em rota descendente, pelo sky abaixo, em manobra radical chamada pleonasmo literário. Vem do heaven. Usa ambas as asas para voar, mas ainda assim consegue carregar seu instrumento musical. Explicações acerca desse talento extra do personagem devem ser creditadas à anedota original, cuja origem se perde na night dos times.

Sedento após a longa jornada, Johnny pousa junto ao river no qual, na anedota original, seu ancestral teria jogado um sapo que pegara carona clandestina na viola do músico.

Fosse num filme americano e o Narrador já teria entremeado esta narrativa com flashes de Rose Jaca Dura. Estaria deitada de bruços no riverside, em trajes de Eva, dourando ao sol as protuberâncias que a batizaram enquanto personagem desta fabuleta. Mas isso aqui não é cinema. Calma.

Dá-se o encontro dos amigos.

-Qual é a boa, Johnny? – Jaca Dura quer saber de hypes.

-Vai ter party no heaven, neste finde – John Urubu ama ser portador de novidades.

-Mó boa. Causarei! – Jaca Dura é rica em doçura e rima pobre de marré.

-Mas só pode entrar gente da derriére pequena – Johnny é pura lascívia.

-Tadinha de Mary Tanajura – sentencia, falsamente compungida, Rose Jaca Dura.

Na sequência da narrativa, não pense algum inadvertido leitor que seria impossível pra Jaca Dura se esconder no case da guitarra do nosso bom Johnny Urubu, na volta do hype celestial. Mesmo que faça sentido perguntarem: mas e a vistosa preferência tupiniquim?

Saibam todos, então, que, no tempo desta fabuleta conduzida em tom de paráfrase de antológica aeroanedota, a tônica é a iconoclastia. Basta lembrar que, contrariando antigas regras de edição, há até mesmo modelos e marias-chuteiras que hoje aparecem de ré nas fotos dos jornais. Então, por que estranhar que a engenharia silicônica já tivesse criado próteses desinfláveis e escamoteáveis, destinadas a facilitar o acondicionamento de peruas clandestinas popozudas?

Já aquele negócio de “Te jogo no rio” e “Não, por favor, me joga na pedra”, o Narrador acha por bem modificar.

Fica assim: flagrada escondida no case da guitarra de Johnny, no retorno do heaven, Rose Jaca Dura exercita sua sedução. Johnny Urubu pode então queimar incenso no altar de Vênus em pleno ar, em manobra radical conhecida como morram de inveja. E sem deixar cair a guitarra – essas coisas de protagonistas.

Ou a cara leitora e o caro leitor não sacaram a filmada gulosa de Johnny em Jaca Dura, quando, em decúbito ventral na beira do river, nossa musa dourava ao sol sua retrofisionomia?

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