Das marés da alma da gente

Honestino era um embornal de picuinhas, naquele fim de tarde. Dera de encafifar, desachado, caçante de pra-que-serves. Bem-dizendo a verdade, estúrdio. Mas pouco; uns dois-merréis, só.

Sucedia que a cabeça de Honestino era aluada, vinteôitica, setevezquátrica, mensal. Era o tempo de seu ciclo, da fruta ao caroço, do êxtase ao enfado, do apetite ao fastio, da coceira ao cansaço.

Quais que igual a todo mundo, mesmo, os que percebem e os que tomam pança.

Sabia não, o Honestino, desde quando, aquilo. Raspava na memória, arqueolítico, casca por casca, escama por escama, zói puro, pesquisador, obsessivo. Achava não, nos muintinhantes. Era trens de muitos sempres demais.

A poder de tantos entrementes, porém, dera-se que depois de tantas décadas de comportamento zigue-záguico, sanfônico, preamárico, baixamárico, Honestino tinha já pelo menos um despertencimento: já não era como aqueles que são sempre apanhados com as calças na mão, que quando lhes chega o domingo a alma ainda está na quarta.

Não. Fazia tempo, já, que quando envinha, lá na esquina, a nova lua, Honestino já conseguia então se acautelar das inhacas condizentes.

Se era tempo de amuo que anunciava, aluía o serviço, juntava um dinheirinho, inventava uma assunto de necessidades e se recolhia, que ninguém o visse barbado, olhos mortiços, olhar no chão. Só gentes do coração, prenhes de ouvires e calares e de ficares-por-perto. Aí podia.

Quando a onda era de falação, de contação de vantagem, de mil e um trens de sentir e de dizer que ia fazer, cozia raízes e folhas, bebia seu mel, e via. Acalmava os desaventos, firmava o pensamento no sol, via o filme passar só dentro do coité, sem vazar nas palavras nem dores nem galanteios nem abusos nem berros nem peditórios nem deslimites.

Já nos ciclos de sentir sozinhidão, medão, Honestino já tinha aprendido que era juntar o que tinha de sabidamente bão e buscar outras sozinhidões de gentes sem pai nem mãe, sem família, sem amigos, sem saúde, sem liberdade. Então no meio deles conseguia reencontrar companhia, coragem e utilidade. E isso era bão feito um pedaço de fruta-pão.

Antão, Honestino deu de mão. Nu´a mãozada só, sujigou mosquito e sofreção.

Era só outro um ele dele se achegando a ele, querendo seu lugar de direito, era irmão. Pobrema não.

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