Vai ter fé assim na…

Credulino acredita em tudo. Até uns 15 dias atrás, acreditava piamente que Roseana Sarney fosse a solução para todos os problemas do Brasil. Não havia quem o fizesse refletir acerca dos índices de pobreza do Maranhão, que, garantem os estudiosos, se fosse um país só seria menos miserável que o Haiti, nesta banda do mundo. Mas veio o episódio do baculejo que a Federal deu na empresa da pré-candidata, vieram os indícios de ligações com o escândalo da Sudam, a auto-imolação do primeiro-marido. Credulino acha que a mídia toda tá perseguindo Roseana.

Credulino acredita que a solução para o Brasil seja Romário. Mas ele tá bichado, rapaz, argumentam os amigos da pelada do fim de semana. Tá decadente, só faz gol em time pequeno, fica lá na frente de mãos na cintura, é bananeira que já deu cacho. Tem jeito não. É Romário.

Nas horas de folga, Credulino se divide agora entre o Big Brother e a Casa dos Artistas. Aprendeu uma porção de palavrões novos, agora já sabe que velcro não é só aquele negócio barulhento que se usa em confecções, tá começando a achar interessante mulher se esfregando em mulher. Ninguém o convence de que a tevê desta vez baixou demais o nível. O homem é um otimista incorrigível.

Credulino acredita que Fernando Henrique diz a verdade quando conclama os partidos a aprovar a renovação da CPMF para não privar o País de uma receita fundamental. E crê também que o PT acredita na conversa de FH quando passa a também defender a famigerada mordida bancária. Chega a dizer, candidamente, que os outros são impatriotas. Os outros, diga-se, somos nós todos que nos metemos a saber das coisas e vemos defeito em tudo. Credulino acredita em tudo.

Não é à toa que o Credulino não suporta a piada da freira que fica sem gasolina a muitos quilômetros da cidade. E encontra finalmente, no alto de um morro, a casa de um fazendeiro que se dispõe a doar o combustível mas não tem vasilha para o transporte até o carro da irmã, parado na estrada a 500 metros da sede da fazenda. Felizmente a freira se lembra de que tem um peniquinho no carro e inicia então uma longa série de viagens entre a casa e o veículo. Numa dessas, passa um caminhoneiro, vê aquela cena, pendura na buzina e depois berra, ao passar pelo carro:

– Irmã, vai ter fé assim na… .

 

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