Um encontro marcado

zezim Um encontro marcadoOs brasileiros que emigram para os Estados Unidos buscam, em sua grande maioria, estar em contato direto com seus compatriotas.

Os momentos de lazer são quase sempre compartilhados com pessoas oriundas de suas respectivas regiões no Brasil, ou mesmo pessoas que conhecem depois que chegam aqui.

São inesquecíveis os domingos de churrasco e feijoada, idas a praias e parques, sempre acompanhados de conterrâneos, seres gregários que somos.

Quando cheguei aqui era a mesma coisa. A comunidade era pequena, mas muito unida.

Tinhamos um encontro semanal, às quintas-feiras, no Scorpio’s, um combo-restaurante/casa de shows em Elizabeth, que era uma espécie de embaixada do Brasil em New Jersey.

No acanhado palco do Scorpio’s pude assistir Gilberto Gil, Sá & Guarabyra, Zé geraldo, Zé ramalho, Raimundo Fagner, Paralamos do Sucesso, Beto Guedes, Lô Borges, Roupa Nova e tantos outros.

O grupo Brazilian Energy cantava a nossa saudade e nos aproximava. Fiz centenas de amigos na casa de propriedade de Gil farias, um português que amava o Brasil e os brasileiros.

Com a sua morte precoce, aos 39 anos, a turma foi procurar divertimento em outros lugares.

O Mango’s Bar, na Wilson Avenue e o Ponto de encontro, na Pulaski com Walnut, eram as opções mais procuradas. Lá, a combinação de cerveja e samba era a lei.

Aos domingos havia a memorável pelada do parque da Market Street. Quando chegava setembro, nos reuníamos para o Futebol Alegria, uma brincadeira que movimentava toda a comunidade.

Havia uma partida de futebol com dois times que levavam o futebol a sério e o impagável Homens X Mulheres, em que as mulheres jogavam vestidas de homens e vice-versa. Algumas pessoas que participavam da brincadeira já não estão entre nós.

Confesso que joguei nos dois eventos e me diverti muito. Infelizmente, a iniciativa se perdeu.

Como fomos nos perdendo uns dos outros, à medida que a maioria foi constituindo família e se mudando para outros lugares, alguns retornando ao Brasil.

De uns tempos para cá só temos nos visto em funerais de amigos que foram ficando pelo caminho.

No ano passado revi pessoas que não via há mais de uma década no velório de Ronilton Correa, de quem fui ‘roommate’ por mais de cinco anos e de quem sinto imensas saudades.

Um novo encontro forçado aconteceu na semana passada, durante a despedida de José Martins, o Zezinho, um valadarense que nos deixou tragicamente após um acidente de trabalho em Nova York.

É costume falar bem de pessoas ruins, que ficam “boas”quando morrem. Não era o caso de Zezinho.

Ele era uma pessoa espetacular, amigo de todos, bom pai e marido, um trabalhador incansável que estava começando a desfrutar da semente de seu suor após mais de três décadas como emigrante no país.

Começou a viajar pelo mundo, aprendeu a apreciar vinhos, sempre na companhia de sua inseparável Marta, formando um casal lindo, que dava gosto de ver.

A despedida de Zezinho me fez refletir bastante sobre esses nossos “reencontros”, que tendem a se tornar cada vez mais frequentes, à medida que os anos vão passando por nós.

Conversei longamente com Tônia Zarro e outros amigos de “antigamente” e nos prometemos que, em homenagem a Zezinho, iremos realizar pelo menos um encontro anual reunindo toda a turma da “terceira idade”.

Quem ler essa coluna e for “daquele tempo”, que se apresente, pois a vida passa depressa demais.

Zezinho, querido, prometo que ergueremos um brinde a você.

 

 

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