Após chacinas, Trump “denuncia” racismo e pede reforma migratória

Foto26 Donald Trump Após chacinas, Trump “denuncia” racismo e pede reforma migratória
“Numa só voz, a nossa nação deve condenar o racismo, preconceito e supremacia branca”, disse Trump na Casa Branca

O Presidente ofereceu pouco consolo àqueles que acreditam que os alertas dele de “invasão” hispânica e armas contribuíram para a chacina em El Paso (TX)

Tentando encontrar um bode expiatório para as chacinas ocorridas no final de semana, o Presidente Donald Trump pode ter, inadvertidamente, apontado para ele mesmo. Na mensagem de terça-feira (6), numa postagem no Twitter sobre os tiroteios em El Paso (TX) e Dayton (Ohio), ele ofereceu uma solução legislativa que inclui “uma reforma migratória desesperadamente necessária”.

Posteriormente, durante comentários feitos sem demonstrar emoção de um pódio na Casa Branca, Trump considerou a internet, vídeo games, doenças mentais e racismo como os culpados pela onda de homicídios. “A doença mental e o ódio puxaram o gatilho; não a arma”, disse ele.

Percebendo ou não, os comentários dele soaram como uma confissão. Trump tenta ser fiel à uma base eleitoral que exige fidelidade às promessas que ele fez de defender os direitos dos donos de armas e avançar a política na fronteira que está repleta de retórica racista. Ao invés de arriscar perder seus aliados, Trump escolheu se impor às alegações de responsabilidade; “o ódio puxa o gatilho”, disse um presidente que costuma se vingar com ódio de seus adversários. Além disso, ele lembra que espera conquistar com uma política migratória austera aquilo que o atirador não conseguiu com balas.

O ódio é a ferramenta política favorita dele, pois considerou os críticos do juiz da Corte Suprema, Brett Kavanaugh, de “pessoas realmente diabólicas”, que os suprematistas brancos eram “pessoas muito bacanas” e a mídia “inimiga do povo”, além de ser o símbolo das políticas que combatem os imigrantes hispânicos.

“Somente um racista, motivado pelo medo, poderia testemunhar o que ocorreu neste final de semana e, ao invés de confrontar o medo, fica lado da mensagem de assassinos em massa para tornar o nosso país mais branco”, postou o candidato presidencial democrata, Beto O’Rourke, no Twitter.

Um manifesto online que as autoridades acreditam estar ligado ao suspeito de El Paso atribui o motivo da chacina ao combate à “invasão” hispânica, ecoando a linguagem que Trump tem usado incessantemente para demonizar e desumanizar os latinos e aumentar o apoio no combate dele contra os imigrantes indocumentados. Durante um comício, ele conjecturou abertamente caminhar pela 5ª Avenida em Nova York atirando nas pessoas e riu quando um admirador gritou que os imigrantes que cruzam a fronteira dos EUA com o México deveriam ser recebidos a tiros. E julho, ele passou a maior parte do mês postando mensagens racistas no Twitter contra 4 membros não caucasianos do Congresso.

Num país dividido, onde os americanos acessam notícias de fontes selecionadas, o Trump pode alterar a mensagem dele dependendo da audiência, disse Victoria DeFrancesco Soto, professora de engajamento cívico na LBJ Escola de Assuntos Públicos na Universidade do Texas em Austin.

“Ele está tentando tirar vantagem dos dois lados para que possa falar com a base eleitoral dele, mobilizá-los e abordar esses assuntos polêmicos sobre raça que tiveram essas consequências horríveis”, disse ela sobre os comícios. Então, num discurso na Casa Branca para uma audiência mais ampla, acrescentou, ele diz coisas que “soam bastante presidenciáveis”. Por exemplo, Trump denunciou a supremacia branca no pódio, na segunda-feira (5).

 

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