Augusto Amador:  “Imigrantes influenciaram o clima de prosperidade que a cidade vive”

Foto26 Augusto Amador Augusto Amador:  Imigrantes influenciaram o clima de prosperidade que a cidade vive
Augusto Amador é o representante do Bairro Leste da Câmara municipal da cidade Newark

Como Vereador do Bairro Leste de Newark nos últimos vinte anos, eu posso afirmar que a renascença cultural e econômica da cidade é um fato.  Nasci em Portugal e é com muito orgulho que reconheço a forma como os imigrantes influenciaram o clima de prosperidade que a cidade vive.

Os imigrantes na nossa área contribuem em cerca de 2 bilhões de dólares em impostos e gastam cerca de 5 bilhões de dólares, de acordo com as informações recolhidas pela organização apartidária New American Economy (NAE).  Além disso, cerca de 63% dos imigrantes são responsáveis por novos investimentos aumentando, assim, o nível de emprego das comunidades onde vivem.

Por estas razões, fiquei surpreso e estupefato com a recente consideração feita pela Administração Trump em reduzir, de forma dramática, o número de imigrantes candidatos ao “green card”, o que pode resultar na deportação de milhares de pessoas em todo o país e a consequente perda de cerca de 174 bilhões de dólares, de acordo com o NAE.  O referido plano força qualquer imigrante que use mais do que 15% da linha de pobreza em benefícios públicos para ele mesmo ou para os filhos não deve poder obter o estatuto de residente legal permanente.  Naturalmente, queremos ter gente que é autosuficiente, mas, por esta norma, de acordo com o parecer da organização conservadora Cato Institute, um imigrante que use diariamente US$ 2,50 em benefícios seria considerado um “encargo público”.

Este plano, se for implantado, poderá ter consequências catastróficas para Newark.  O ramo da construção, por exemplo, deverá ser imensamente afetado por este plano, pois cerca de 60% dessa indústria tem um envolvimento imigrante.  Serviços profissionais e indústrias relacionadas aos transportes e utilidades públicas serão, também afetados, pois o envolvimento de imigrantes nestas áreas da economia é de cerca de 40% a 50% .  O fato é que 90% dos imigrantes não especializados, o grupo que provavelmente poderá requerer assistência pública,  são empregados “full time” (em tempo integral).  Nós precisamos deles para manter os escritórios abertos, os ônibus em movimento e as luzes acesas.

A dependência em assistência pública não é um problema imigrante e sim um problema americano.  É o resultado, em parte, da lenta progressão dos aumentos salariais e da falta de condições na área residencial, o que nos afeta, também.  Na realidade, os imigrantes não especializados em Newark são menos dependentes de programas públicos, tais como o “Welfare”, “Medicaid”, e “Food Stamps” do que os nascidos na América.  Os imigrantes podem vir (imigrar) com pouco, mas, em muitos casos, trabalham para, num futuro próximo, alcançar um modo de vida sem dependência.

Isso foi o que aconteceu à minha família quando o meu pai saiu de uma vila pequena do norte de Portugal.  Quando ele veio em 1927, os únicos postos de trabalho que existiam resumiam-se à construção e a manufatura, mas, através dum esforço enorme, conseguiu construir uma base forte que permitiu à família alcançar o Sonho Americano.  E, quando eu cheguei, em 1966, fiz tudo, também, para alcançar o Sonho, frequentando a Universidade Rutgers durante a noite e trabalhando numa fábrica durante o dia.  O apoio que recebi da família e da comunidade foi essencial para alcançar esse sucesso.  Por isso, como imigrante, acreditei e acredito no Sonho Americano.

Hoje, acredito que este plano proposto pela Administração Trump é, acima de tudo, punitivo e economicamente inadequado e tende a arruinar a possibilidade dos imigrantes poderem alcançar o Sonho Americano.  Queremos políticas que reforcem o valor das cidades e não as tornem mais frágeis.  Os imigrantes têm contribuído, durante muito tempo, para o enriquecimento da cidade e, mais concretamente, para o enriquecimento do Bairro Leste (Ironbound).  De fato, Newark ficou em 1º lugar num grupo de 100 cidades no New American Economy’s Cities Index, o que define a forma como os imigrantes se integram à sociedade para onde emigram.  Os resultados foram alcançados nas áreas de liderança governamental, apoio legal, oportunidades de trabalho, prosperidade econômica e nível de vida.

A cidade de Newark acredita no potencial dos seus residentes que são, também, imigrantes.  Devido, em parte, ao esforço municipal, hoje, temos cerca de 32.400 cidadãos naturalizados.  Muitos milhares sonham em tornarem-se americanos.  Todas estas pessoas estão a caminho de alcançar o Sonho Americano, tentando não só adaptar-se como, também, crescer.  Muitos deles têm vivido décadas em Newark com as famílias, comprando nas lojas de Newark e contribuindo, assim, para a base cultural única das comunidades onde vivem.  Alguns deles precisaram de ajuda quando chegaram e, talvez, alguns ainda precisem, entretanto, em termos financeiros e cívicos, dão muito mais do que recebem.

 

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