Brasileiros processam ICE por prender imigrantes casados com cidadãos

Foto20 Luis Gordillo e Lilian Calderon  Brasileiros processam ICE por prender imigrantes casados com cidadãos
Lilian Calderon (dir.) e o marido, Luís Gordillo, que é cidadão norte-americano (Foto: GoFundMe.com)

Vários brasileiros foram detidos quando se apresentaram em entrevistas para a legalização do status migratório

A ACLU entrou com uma ação coletiva contra o padrão da administração Trump de separar casais e famílias que buscam legalizar o status migratório. A autora principal do processo é Lilian Calderon, moradora em Rhode Island, que foi recentemente libertada da detenção como resultado de uma ação judicial anterior da ACLU. Em janeiro, Calderon apareceu no escritório local dos Serviços de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) com o marido para uma entrevista destinada a confirmar seu casamento, o primeiro passo no processo de se tornar um residente permanente legal. Imediatamente após a entrevista, ela foi abruptamente detida pelo ICE e levada para um centro de detenção em Boston, onde ficou detida por quase 1 mês. Um processo movido pela ACLU de Massachusetts, em conjunto com a ACLU de Rhode Island, levou à sua libertação em fevereiro, no entanto, Calderon continua sujeita à ameaça de detenção e deportação, apesar de seu progresso de legalização.

“A Sra. Calderon é mãe de dois filhos pequenos que nunca teve problemas com a lei. Na verdade, ela foi presa pelo ICE quando tentava obedecer à lei. Ela estava fazendo exatamente o que o governo havia solicitado em virtude de seu status migratório, antes que eles (autoridades) a levassem para longe de sua família”, disse Steven Brown, diretor executivo da ACLU de Rhode Island. “Como o processo de ação coletiva de hoje deixa claro, a situação de Calderon está longe de ser única. Como uma nação de imigrantes, é terrível ver o atual e o persistente ataque do governo federal contra famílias como os Calderons, que estão simplesmente tentando seguir as regras”, continuou Brown.

A ação coletiva movida pela ACLU de Massachusetts é contra o Presidente Trump, funcionários do Departamento de Segurança Interna (DHS) e funcionários do Departamento de Imigração e Alfândega (ICE), em nome de Calderon, o marido dela e outros, em um esforço para proteger os imigrantes da detenção e deportação e manter as famílias unidas enquanto os cônjuges não cidadãos buscam o governo para regularizar o status migratório.

A ação coletiva é resultado de ações incompatíveis de duas agências do DHS: Serviços de Imigração e Cidadania dos EUA (USCIS) e ICE. Em 2016, o USCIS promulgou regulamentos que permitiam que determinados cônjuges não cidadãos de cidadãos dos EUA regularizassem o status migratório, permanecendo nos Estados Unidos com suas famílias. O propósito expresso, de acordo com o processo, é proteger os cidadãos dos EUA e seus cônjuges da separação familiar prolongada e potencialmente indefinida.

Embora os regulamentos de 2016 permaneçam em vigor, o ICE adotou recentemente uma política e prática de deter e procurar remover indivíduos que estão seguindo esse processo. De fato, a ICE admitiu que 7 pessoas foram presas quando aplicavam para a residência permanente em um escritório do USCIS em Massachusetts ou Rhode Island em janeiro de 2018.

Além de Calderón e seu marido Luís Gordillo, os outros peticionários incluem:

. Lucimar de Souza e Sergio Francisco: No dia 30 de janeiro, o casal compareceu à entrevista para confirmar seu casamento para a legalização. Imediatamente após a entrevista e, apesar da aprovação da petição do casamento, Souza foi presa e permanece detida no Centro de Correções de Suffolk, em Boston (MA), separada do marido e do filho de 10 anos.

. Sandro de Souza e Carmen Sanchez: Ele é um imigrante brasileiro que vive nos Estados Unidos há mais de 20 anos e recebeu a ordem de deixar o país até 24 de abril, apesar do progresso em seu processo de solicitação via USCIS e USCIS e mesmo com o histórico de comparecer regularmente ao escritório do ICE. Sem a intervenção do tribunal federal, ele será forçado a deixar para trás sua esposa cidadã americana e seu filho legal residente permanente.

. Oscar Rivas e Celina Rivera Rivas: Ele fugiu de sua cidade natal, El Salvador, aos 18 anos, e pediu asilo nos Estados Unidos depois de ser espancado e levado tiros por se recusar a entrar para uma gangue. Como o seu caso de asilo foi negado, ele se apresentou regularmente ao ICE, aparecendo em todas as datas no tribunal e no “check-in” exigido. Dez anos depois, ele constituiu família e apresentou seu pedido de legalização do status migratório. Em 1 de março, ele foi ordenado a deixar o país em 2 de maio. Sua remoção devastaria sua esposa cidadã americana e dois filhos pequenos.

. Deng Gao e Amy Chen: Ele está atualmente na fila para uma entrevista em Boston para confirmar seu casamento. O casal teme que, como outros, Deng possa ser detido nesta entrevista. Seus quatro filhos, incluindo o filho recém-nascido e o filho de 12 anos que precisam de cuidados constantes, dependem particularmente dele para obter apoio financeiro.

“A administração Trump tem perseguido implacavelmente, detendo e deportando tantos imigrantes o quanto possível, não importando o impacto devastador na união familiar e a violação dos direitos civis”, disse Carol Rose, diretora executiva da ACLU de Massachusetts.

 

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