Casa Branca pressiona a favor de imigração baseada no “mérito”

Hogan Gidley Casa Branca pressiona a favor de imigração baseada no “mérito”
Hogan Gidley, porta-voz da Casa Branca, acredita em reforma migratória ampla votada no Congresso

A administração atual espera que o Congresso debata o polêmico assunto em 2018

A Casa Branca está embarcando numa cruzada que visa influenciar a opinião pública contra o sistema migratório atual dos EUA que é baseado nos laços familiares. A tentativa visa transformá-lo num sistema que tenha como base o mérito, em 2018.

A administração atual já redigia as fundações para tal mudança mesmo antes que o imigrante nascido em Bangladesh tentou detonar uma bomba numa estação do metrô em Manhattan (NY), na segunda-feira (11). O objetivo é enfatizar o argumento de que o sistema migratório atual não é simplesmente mal planejado, mas perigoso e prejudica os trabalhadores americanos.

“Nós acreditamos que dados lideram políticas e este dado ajudará a liderar os eleitores em prol da reforma migratória ampla votada no Congresso”, disse o porta-voz da Casa Branca, Hogan Gidley.

Os representantes da Casa Branca explicaram as bases da estratégia exclusivamente para a The Associated Press e alegaram que as mudanças são urgentemente necessárias. Entretanto, tal esforço ocorrerá num momento político difícil, pois os republicanos no Congresso demonstram receio em se envolverem num debate migratório antes das eleições de 2018.

O tema tende a ser destaque no discurso de Trump em 30 de janeiro, o “State of the Union”. A Casa Branca também planeja que outros discursos sejam proferidos pelo Presidente, visitas a gabinetes oficiais e entrevistas e enfatizar o tema junto à mídia conservadora. A administração iniciou a campanha na quinta-feira (14) através da postagem em um Blog enfatizando números: Dados do Departamento de Segurança Nacional (DHS) revelam que quase 9.3 milhões dos aproximados 13 milhões de imigrantes que entraram legalmente para os EUA entre 2005 e 2016 foram através de laços familiares. Somente 1 entre 15 imigrantes aceitos na última década entraram no país devido às suas habilidades profissionais.

Outras mensagens programadas: Um relatório enfatizando o número de imigrantes detidos nas penitenciárias nos EUA, acúmulos de casos nos tribunais e atrasos no processamento de pedidos de asilo e uma carta na qual a administração diz haver ligações entre a imigração e terrorismo.

Críticos questionaram o uso seletivo da administração de dados enganosos no passado.

A proposta se afasta do sistema migratório baseado em laços familiares e representa a tentativa de mudança mais radical dos últimos 30 anos. A proposta acabaria com o que críticos e a Casa Branca consideram “imigração em cadeia”, na qual os imigrantes podem trazer ao país uma corrente de membros da família, e a substituiria por um sistema de pontos que prioriza a educação e habilidades profissionais. Sistemas baseados no “mérito” vêm sendo cada vez mais utilizados em outros países, incluindo o Reino Unido.

 

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