Coiote brasileiro revela que o tráfico de pessoas segue “firme e forte”

Foto3 Entrada clandestina nos EUA Coiote brasileiro revela que o tráfico de pessoas segue firme e forte”
Marcelo disse que atua há 20 anos no tráfico de pessoas de Governador Valadares (MG) aos EUA

Usando o pseudônimo de “Marcelo”, ele relatou que nem Trump e o valor cobrado pelos traficantes “freiam” os brasileiros

Apesar do combate acirrado à imigração clandestina pela administração Trump, o tráfico de brasileiros aos EUA “segue alto”, relatou um “coiote” (traficante de pessoas) ao jornal Folha de São Paulo. Durante a entrevista, o indivíduo, natural de Governador Valadares (MG), de 50 anos, identificado pelo pseudônimo “Marcelo”, detalhou que mesmo as ameaças do Presidente Trump e os até US$ 20 mil (R$ 77 mil) cobrados pelos coiotes não intimidam os imigrantes.

Marcelo disse que atua há 20 anos no tráfico de pessoas de Governador Valadares (MG) aos EUA e que a quantia de US$ 20 mil é cobrada nos “casos fáceis” e os “casos difíceis” custam US$ 22 mil. O dinheiro fica com parentes no Brasil e o pagamento somente é efetuado depois da travessia da fronteira entre o México e os EUA. Ele relatou que leva a média de 20 pessoas mensalmente, mas que existam pelo menos 80 brasileiros também atuando no tráfico e que muitos deles levam até 50 pessoas por mês.

Ele explicou que a primeira etapa da viagem começa em ir de avião à Cidade do México, onde os agentes locais de imigração cobram US$ 1 mil por pessoa para a entrada no país. De lá, os passageiros seguem até uma cidade mexicana na fronteira com os EUA. Essa viagem é feita de ônibus e voos domésticos, depois que é paga a propina de US$ 100 por pessoa ao policial no aeroporto.

Dependendo do preparo físico da pessoa, os valores cobrados são diferentes. Por exemplo, é cobrado US$ 5 mil para caminhar 10 km pela mata ou atravessar de boia um rio até o outro lado da fronteira. Além disso, os coiotes também oferecem uma alternativa “superluxo” para grávidas, obesos, idosos e deficientes físicos: Um túnel que desemboca numa fazenda no lado dos EUA. O tempo da travessia é de aproximadamente 10 minutos e os mexicanos cobram o dobro (US$ 10 mil) pelo serviço.

Marcelo calculou que cerca que de 10% dos brasileiros que utilizam os serviços dele são pegos pela Patrulha da Fronteira (BP). Ele detalhou à Folha de São Paulo que já viveu 12 anos nos EUA e entrou 35 vezes sem ser preso. Nas vezes em que foi detido, ele pensou em desistir da atividade, entretanto, mudava de ideia. Ele citou como o principal motivo a cotação do dólar, que está quase atingindo R$ 4. O dinheiro ganho por ele é utilizado principalmente na compra de imóveis.

O coiote citou a falta de vagas de emprego em Governador Valadares como uma das motivações mais fortes para as pessoas tentarem entrar clandestinamente nos EUA. “Aqui não tem emprego, não tem fábrica, não tem opção. Já pensou em trabalhar por um salário mínimo quando lá você ganha em dólar? É o único jeito de a pessoa dar uma vida melhor para a família que fica”, disse Marcelo. “Ela penhora a casa, o caminhão, qualquer coisa para pagar a viagem”.

 

Related posts

Comentários

Send this to a friend