“Coiotes” atraem imigrantes com cidadania “garantida” nos EUA

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Um número expressivo de pessoas detidas na fronteira dos EUA (detalhe) ainda aguarda audiências nos tribunais de imigração

Traficantes divulgam em rádios locais na Guatemala que mulheres grávidas ou acompanhadas de crianças podem se legalizar após cruzar a fronteira   

Traficantes de pessoas na Guatemala estariam tentando lucrar ao alegarem falsamente que mulheres grávidas ou acompanhadas de crianças facilitariam a obtenção da cidadania nos EUA. Semana passada, Dora Alonzo Quijivix, uma líder comunitária guatemalteca que encontrou-se com o comissário da Patrulha da Fronteira (BP), Kevin K. McAleenan, discutiu a crise migratória. Ela disse ao jornal Washington Post que tais alegações são divulgadas em pequenas estações de rádio.

“Eles (locutores) dizem que se você levar uma criança, você é autorizado a entrar nos Estados Unidos e consegue a cidadania”, disse Dora, frisando que a viagem pode custar até US$ 10 mil. “Agora, eles estão dizendo que as mulheres grávidas que vão também obtém a cidadania”.

McAleenan, em resposta, rebateu que tais promessas são mentirosas, mas reconheceu que os EUA devem fazer um trabalho melhor no processamento das pessoas que são capturadas atravessando clandestinamente a fronteira. “Não existe a possibilidade de permanecer nos EUA se você trouxer uma criança contigo. Não existe a possibilidade de ficar simplesmente porque você está grávida”, comentou. “Entretanto, o nosso sistema judiciário é muito lento, então, você pode ter a falsa impressão por ter que ficar nos EUA durante um ano ou dois antes de ser repatriado”.

As estatísticas do Departamento de Segurança Nacional (DHS) indicam que somente 1.4% dos familiares que entram clandestinamente nos EUA vindas de países como Guatemala, Honduras e El Salvador neste ano fiscal  foram deportadas. Um expressivo número delas ainda aguarda audiências nos tribunais de imigração, os quais apresentam um acúmulo de 750 mil casos.

“Os contrabandistas e traficantes entendem as nossas leis falhas de imigração melhor do que ninguém, portanto, sabem que se uma família é detida na fronteira ela tende a ser enviada para o interior”, disse Tyler Houlton, secretário de imprensa do DHS, em setembro. “Especificamente, o DHS é obrigado a liberar as famílias que entram clandestinamente nos EUA em até 20 dias depois da detenção”.

“Nós sabemos que a vasta maioria das famílias que foram liberadas, apesar de não terem nenhum direito legal de permanecer nos EUA, não saem do país ou são removidas”, acrescentou.

Os guatemaltecos que se sucedem bem no exterior enviam bilhões de dólares anualmente para seus parentes, além da falta de empregos e pobreza no país, isso parece inspirar os conterrâneos a também imigrarem para os EUA, apesar do risco de morte ao longo da jornada. “Nós tentamos desencorajar as pessoas, mas enquanto houver a possibilidade atraente de permanecer no país, eles (imigrantes)  vão continuar vindo”, disse Jason Owens, chefe da BP no Setor de Labrador.

McAleenan acrescentou que “a oportunidade econômica e o Governo exercem um papel muito maior na decisão dos imigrantes em tentar a viagem rumo ao norte”.

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