Comércio brasileiro participa do protesto “Um Dia Sem Imigrante”, em Newark

Foto7 Supermercado Emporium 112 Comércio brasileiro participa do protesto “Um Dia Sem Imigrante”, em Newark
Luís Almeida, proprietário do supermercado Emporium 112, que também aderiu a manifestação
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Fachada da Lanchonete Altas Horas, com faixa na vitrine: Um dia sem imigrante
Foto7 Boi na Brasa 1024x768 Comércio brasileiro participa do protesto “Um Dia Sem Imigrante”, em Newark
A churrascaria Boi na Brasa também aderiu ao protesto nacional
Foto7 Mall da Adams 1024x768 Comércio brasileiro participa do protesto “Um Dia Sem Imigrante”, em Newark
O Mall da Adams Street ficou deserto na quinta-feira (16)
Foto7 Mall da Adams  1024x768 Comércio brasileiro participa do protesto “Um Dia Sem Imigrante”, em Newark
O interior do Mall da Adams Street, que possui várias lojas, também ficou vazio

Diversos estabelecimentos comerciais localizados no bairro do Ironbound, em Newark, não abriram suas portas ao público, na quinta-feira (16)

Na manhã de quinta-feira (16), vários estabelecimentos comerciais no bairro do Ironbound, onde se concentra a comunidade imigrante em Newark, permaneceram fechados em apoio ao protesto “Um Dia Sem Imigrante”. A manifestação tem o objetivo de demonstrar a importância da mão-de-obra estrangeira na economia americana e ocorre 10 anos depois de outro movimento nacional, o “Grande Boicote Americano”, ocorrido em 1 de maio para protestar contra o “Illegal Immigration Control Act of 2005”.

Na ocasião, o projeto de lei, cuja sigla oficial é HR-4437, determinava a construção de centenas de milhas de novas cercas ao longo da fronteira com o México, além de endurecer a abordagem das autoridades federais com relação aos imigrantes indocumentados e qualquer pessoa que os ajudassem. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados, antes de perder a votação no Senado.

A equipe de reportagem do BV circulou pelas ruas do Ironbound e verificou que, embora muitos estabelecimentos comerciais estivessem fechados em apoio ao protesto, alguns deles abriram ao público. A redação do Brazilian Voice Newspaper, também com sede em Newark, funcionou especialmente para redigir a matéria sobre o tema, mas fechou o resto do dia em solidariedade ao protesto nacional.

Aderir à manifestação exige sacrifício por parte dos comerciantes e funcionários, pois um dia fechado resulta em prejuízo financeiro por parte de ambos. Entretanto, o apoio à causa dos imigrantes é uma forma de mostrar ao governo dos EUA a importância que a mão-de-obra estrangeira tem para a economia nacional, mesmo que isso lhes custe um dia de trabalho. Em contrapartida, os estabelecimentos que abrirem no dia, eventualmente, atrairão a clientela daqueles que fecharam.

A reportagem do BV conversou com Luís Almeida, proprietário do Supermercado Emporium 112, que aderiu ao protesto. Ele detalhou que a loja não abriu para o atendimento ao público, mas seus funcionários trabalham internamente no recebimento de mercadorias das companhias de entrega que não pararam e a limpeza e manutenção do estabelecimento.

“Os únicos estabelecimentos fechados são os dos imigrantes e, aparentemente, os afetados são os próprios imigrantes. Nós não vemos as lojas americanas fechadas; sem contar os ‘liquor stores’ (bodegas) e casas lotéricas que vendem cigarros; ninguém reclama disso. Nós aderimos ao protesto, mas eu penso que somente um dia não faz diferença”, disse Luís, que é imigrante português e casado com uma brasileira. “Eu penso que isso deveria ser melhor organizado”.

Solange Paizante, coordenadora geral da ONG Mantena Global Care, abordou a questão de que os estabelecimentos mantidos pelos imigrantes possuem, em sua maioria, a clientela também imigrante e não americana, portanto, “estamos protestando para nós mesmos”.

“Eu penso que o protesto impactaria os americanos se lojas grandes como a Macy’s, Shoprite, BJ’s, Costco fechassem, cuja clientela também é americana. Nós atendemos basicamente a comunidade, portanto, acaba que estamos protestando para nós mesmos”, refletiu Paizante.

José Moreira, proprietário do restaurante Casa Nova, informou que os dois estabelecimentos, nas ruas Ferry e Adams, ambos no Ironbound, não abriram para atendimento ao público em apoio à manifestação nacional.

“Eu aderi com os outros (estabelecimentos), embora os funcionários estivessem divididos, ou seja, cinquenta por cento queriam que abrissem e a outra metade não. Eu acho que é uma forma de luta e mostrar ao governo que os imigrantes existem. Está todo mundo receoso e eu espero que não haja retaliação. É importante lutar por seus direitos”, disse Moreira.

Farid Saleh, proprietário da churrascaria Boi na Brasa, informou que também aderiu ao movimento nacional. “Nós conversamos anteriormente com todos os funcionários e decidimos apoiar, pois é importante ajudar a comunidade para tornar a nossa voz mais ouvida. Inclusive, naquela manifestação que ocorreu em 1 de maio de 2005, eu fui o único estabelecimento que fechou. A nossa comunidade é pequena, mas temos que nos unir para fazer a diferença. Esse país depende dos imigrantes”, disse ele.

Wendel Corrêa, proprietário do restaurante Delícia de Minas, que está de viagem no Brasil, informou, via mensagem de texto, que seu estabelecimento também aderiu à manifestação nacional.

Salões de beleza, restaurantes e bodegas fecharam em Passaic, como parte do protesto. Na Monroe St., via principal repleta de estabelecimentos comerciais mexicanos, o movimento de pedestres era escasso às 10 e meia da manhã, um horário em que a área geralmente fica lotada de clientes.

Marilou Halvorsen, presidente da Associação de Restaurantes & Hospitalidade de New Jersey, informou que inúmeros restaurantes que ela representa estão apoiando os seus funcionários imigrantes que desejaram aderir ao protesto. Vários deles contataram a entidade e pediram trabalhadores adicionais para preencher as vagas no dia.

Wendell Correa, proprietário do restaurante Delícias de Minas, em Newark, defendeu a decisão de ter fechado seu estabelecimento nesta quinta-feira: “Somos imigrantes trabalhadores, não somos terroristas. Espero que as autoridades entendam isto”, disse.

 

Sobre o autor

O jornalista Leonardo Ferreira é formado em Comunicação Social pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso – FACHA, sediada no Rio de Janeiro - RJ.

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