Desaparece faxineira brasileira acusada de roubar US$ 72 mil da patroa

Foto13 Aparecida Rodrigues Alves Desaparece faxineira brasileira acusada de roubar US$ 72 mil da patroa
Aparecida Rodrigues Alves, mãe de 4 filhos, não compareceu à audiência em fevereiro e desapareceu
Foto13 Cheque forjado Desaparece faxineira brasileira acusada de roubar US$ 72 mil da patroa
Um dos cheques forjados, no valor de US$ 23.708, supostamente assinado por Aparecida Rodrigues Alves

Aparecida Rodrigues Alves é acusada de roubo de identidade, furto e forjar cheques, mas um juiz permitiu que ela mantivesse o passaporte brasileiro

Uma patroa americana acusa a faxineira de ter roubado US$ 72 mil da conta bancária dela e pensa que o sistema judiciário a prejudicou depois que um juiz em Boston (MA) permitiu que a acusada mantivesse o passaporte brasileiro. “Você vai aos tribunais esperando conseguir algum tipo de justiça, mas não consegue. Isso é muito decepcionante”, desabafou Eve Dougherty ao canal de TV NBC-10 Boston.

Os investigadores do canal de TV detalharam que, em dezembro de 2018, a antiga faxineira de Dougherty, Aparecida Rodrigues Alves, foi acusada de ter roubado cheques da patroa e sacado de forma fraudulenta mais de US$ 70 mil. Ainda pior, a vítima descobriu o golpe tarde demais, ou seja, o Citizen’s Bank não reembolsou a poupança para custear a universidade dos 3 filhos de Eve. Aparentemente, a brasileira escondia os extratos bancários da patroa para que os saques não fossem descobertos.

“Isso é uma lição muito cara”, disse Dougherty na ocasião. Uma lição cara, entretanto, ela pensava que pelo menos a justiça pudesse ser feita.

Em novembro de 2018, os jornalistas investigadores do NBC-10 estiveram no tribunal de Charlestown, onde Aparecida, conhecida pelos clientes como “Amanda”, era acusada de roubo de identidade, furto e forjar cheques. Após alegar inocência, a réu foi liberada, mas recebeu a ordem do Juiz Thomas Kaplanes de entregar às autoridades o passaporte brasileiro.  Entretanto, após deixar o tribunal naquele mesmo dia, Alves mudou de ideia e, poucos dias depois, no prazo para entregar o passaporte, ela disse às autoridades judiciais que gostaria de mantê-lo. A brasileira foi informada que tal decisão deveria ser tomada por um juiz e, então, foi marcada uma audiência para a tarde daquele mesmo dia em Charlestown. Durante a audiência, um juiz diferente, Michael Coyne, suspendeu a exigência de que Aparecida tivesse que entregar o passaporte brasileiro.

“Eu não pude acreditar naquilo”, relatou Dougherty. “Isso não fazia nenhum sentido para mim”.

Um áudio obtido pelo canal NBC-10 Boston revelou que a brasileira sequer compareceu à audiência. O advogado público de defesa dela disse a Coyne que ele tinha perdido contato com a cliente. Apesar da ausência dela, o juiz perguntou por mais detalhes sobre o caso e determinou que Alves poderia manter o passaporte. O promotor público do Condado de Suffolk argumentou que a réu tinha acabado de concordar em ser liberada sob o pagamento de fiança.

“As autoridades estão preocupadas com a possibilidade de Aparecida estar tentando fugir do país, nesse momento”, argumentou o promotor público.

“Conforme as circunstâncias, eu estou confortável com a decisão que eu tomei”, respondeu Coyne. “Eu anotei a objeção da defesa”.

Quando Alves deveria retornar a Charlestown para nova audiência, em fevereiro, ela havia desaparecido. As autoridades emitiram uma ordem de prisão em nome dela. “Eu tive a certeza de que ela tinha ido embora”, disse Dougherty.

A advogada Wendy Murphy considerou a decisão do juiz surpreendente, especialmente pelo fato de Aparecida sequer ter comparecido à audiência. “Como uma pessoa vence uma audiência no tribunal se ela sequer compareceu?” Questionou Murphy. “Eu não consigo entender isso. Eu sequer consigo encontrar uma explicação irracional para isso. Isso é estranho demais”.

Durante a audiência, Coyne também explicou de forma surpreendente a decisão dele. “Os sistemas nos aeroportos, rodoviárias ou estações de trem são muito mais avançados atualmente do que eram alguns anos atrás. Seria difícil que ela conseguisse sair do país nesse ponto, pois ela tem um caso (judicial) pendente”, diz a voz do juiz na gravação.

Murphy respondeu que não é assim que o sistema funciona. “Se você aparecer num aeroporto com um bilhete de viagem e um passaporte, eles não investigarão os seus antecedentes para saber se você tem um caso pendente”, disse ela.

Um porta-voz da Patrulha da Fronteira (CBP) confirmou a alegação da advogada respondendo que um caso judicial pendente não necessariamente impediria que uma pessoa saísse dos EUA. Na terça-feira (2), um porta-voz do Departamento de Imigração (ICE) informou ao NBC-10 que Aparecida, mãe de 4 filhos, é natural do Brasil e que entrou nos EUA em junho de 2009 como turista e nunca mais saiu do país.

O caso foi transferido para a unidade de fugitivos do ICE em Boston (MA). Dougherty detalhou que a única exigência feita na ocasião era de que a brasileira entregasse o passaporte, ao invés do pagamento de fiança.

“Eu não quero ser vingativa”, desabafou a vítima. “O que aconteceu aqui é realmente terrível. Eu estou simplesmente tentando demonstrar um pouco de classe e superar tudo isso, mas, em cada virada, sou a prejudicada”.

 

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