Família de brasileiro morto na fronteira acredita em assassinato

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O corpo de Júlio Barcellos será liberado pela funerária mexicana na quarta-feira (22) e será trasladado ao Brasil para velório e sepultamento em Jaru (RO)

A última vez que Júlio Barcellos fez contato com a família foi em 25 de fevereiro, pouco antes de cruzar o Rio Grande, no lado mexicano

Na segunda-feira (13), parentes de Júlio Barcellos, de 35 anos, natural de Jaru (RO), receberam uma ligação do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) informando que o corpo encontrado no Rio Grande, México, era do brasileiro. Ele tentava entrar clandestinamente nos Estados Unidos pela 2ª vez e o último contato com a família ocorreu em 25 de fevereiro. Na ocasião, ele se preparava para cruzar a fronteira. Ananias Barcellos, irmão de Júlio, relatou que ele passava por Monterrey e se aproximava do Rio Grande, uma divisa natural entre o México e os EUA.

As autoridades brasileiras informaram aos familiares de Barcellos que havia o corpo de um homem não identificado na funerária Capilla Valdez, no município de Nuevo Laredo. Ananias enviou às autoridades mexicanas algumas fotografias do irmão e, posteriormente, recebeu a triste confirmação. O Itamaraty detalhou aos parentes de Júlio que o corpo não apresentava sinais de perfuração ou agressão física, portanto, a morte poderia ter sido causada por afogamento durante a travessia do Rio grande.

O contato com a família teria sido possível depois que as autoridades mexicanas encontraram em um dos bolsos da roupa trajada pelo brasileiro um endereço nos EUA.

. Não acreditam em afogamento:

Os parentes de Barcellos contestam a possibilidade de afogamento, pois, segundo eles, Júlio morou a maior parte da vida nas proximidades de um rio, portanto, era exímio nadador. Ele viveu nos Estados Unidos durante 9 anos e havia retornado ao Brasil para rever os parentes.

“Eles disseram que foi afogamento, mas o meu irmão sabia nadar muito bem, era um cara esperto, sabia se virar. Era humilde, bom, se relacionava bem com todo mundo. Ele falava espanhol muito bem e um pouco de inglês por já ter morado lá muito tempo”, disse Ananias ao jornal Gazeta, na sexta-feira (17).

“(Ele) Era um cara muito querido e que se dava bem com todos os irmãos”, acrescentou.

Ananias disse que essa era a segunda vez que o irmão tentava entrar clandestinamente nos EUA, a primeira teria sido através das Bahamas, entretanto, devido a problemas na hora de embarcar, Júlio teria desistido. Todos os 12 brasileiros, 2 cubanos, 2 norte-americanos e 5 dominicanos  ocupantes do barco estão desaparecidos até hoje. O embarque ocorreu em 6 de novembro do ano passado.

Almir Vital, de 34 anos, também natural de Jaru (RO), também estava na embarcação desaparecida, que partiu de Nassau, capital das Bahamas, assim como um rapaz de 20 anos que residia no município de Ji-Paraná (RO).

. Campanha beneficente:

Na quinta-feira (16), os parentes de Júlio Barcellos conseguiram um empréstimo bancário no valor de US$ 7 mil, que será utilizado para o traslado, velório e sepultamento do brasileiro em sua cidade natal. A funerária mexicana teria informado que o corpo seria liberado na quarta-feira (22). Os familiares dele realizaram uma campanha através das redes sociais com o objetivo de angariar doações para pagar o empréstimo.

Sobre o autor

O jornalista Leonardo Ferreira é formado em Comunicação Social pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso – FACHA, sediada no Rio de Janeiro - RJ.

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