ICE gasta US$ 820 mil em programa para vasculhar celulares

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O programa permite que policiais e agentes recuperem senhas e obtenham informações dos aparelhos Apple

O órgão já gastou mais de US$ 1.2 milhão com tecnologia para vasculhar os aparelhos de pessoas detidas na fronteira dos EUA e México

O Departamento de Imigração (ICE) gastou US$ 820 mil em tecnologia desenvolvida perla Grayshift. A companhia sediada em Atlanta (GA) é produtora do GreyKey, considerado um dos programas mais avançados para extrair informações (hacking) de aparelhos telefônicos iPhone. O programa permite que policiais e agentes recuperem senhas e obtenham informações dos aparelhos Apple.

O contrato, assinado semana passada, totaliza gastos do ICE com a companhia acima de US$ 1.2 milhão, depois do acordo de US$ 384 mil fechado em 2018. Esse valor é o gasto mais alto pelo serviço feito por qualquer órgão governamental. O acordo também representa o contrato mais alto já assinado pela Grayshift. O contrato anterior foi de US$ 484 mil assinado com o Serviço Secreto dos EUA.

No final de abril, a American Civil Liberties Union (ACLU) e a Electronic Frontier Foundation (EFF) anunciaram que tiveram progresso numa ação judicial contra o governo dos EUA que envolve a busca nos aparelhos telefônicos das pessoas na fronteira sem ordem judicial. A ACLU alegou que, aparentemente, a Patrulha da Fronteira (CBP) e o Departamento de Imigração (ICE) “estão atuando com autoridade quase ilimitada na busca e apreensão dos aparelhos telefônicos das pessoas na fronteira”.

Ambos os órgãos deram a si mesmos poderes para vasculhar os aparelhos para investigar qualquer delito, em desacordo das leis de proteção aos consumidores, alertou a ACLU. Tanto os agentes do ICE e CBP vasculham os telefones das pessoas detidas na fronteira, embora o ICE investigue mais profundamente, denunciaram a ACLU e EFF. A missão do ICE é mais ampla que a da CBP, pois ultrapassa imigração e investiga crimes como, por exemplo, a exploração de menores.

Além disso, o ICE também tem permissão de vasculhar o aparelho  de qualquer pessoa associada ao foco de uma investigação. Isso pode incluir jornalistas e seus contatos, investidores com uma gama vasta de parceiros. Em virtude disso, alguns críticos alegam que tais limites também deveriam ser aplicados na fronteira, algo que o governo atual discorda.

 

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