Jornal: Brasileiro foragido da justiça compra imóveis milionários nos EUA

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Renato De Matteo Reginatto teria comprado um apartamento em Nova York por US$ 6.5 milhões, uma casa em Miami (FL) por US$ 3.5 milhões e um barco de 64 pés (19.5 metros) por US$ 1.1 milhão

A PF de São Paulo aponta Renato De Matteo Reginatto como pivô de um esquema de desvio de verbas de fundo de pensões municipais

O investidor Renato De Matteo Reginatto, de 37 anos, apontado pela Polícia Federal (PF) de São Paulo como pivô de um esquema de desvio de verbas de um fundo de pensões municipais, estaria comprando bens milionários nos EUA. As autoridades brasileiras calculam que o rombo possa ter chegado a R$ 1.3 bilhão. Ele é dono da firma de investimentos FMD Asset, a qual chegou a administrar R$ 590 milhões de fundos municipais, teve a prisão preventiva decretada em abril desse ano e está foragido. Esse montante é oriundo da poupança de milhares de servidores públicos e aposentados. As informações são da Folha de São Paulo, obtidas através de uma investigação particular e entrevista com o advogado Eli Cohen pelo jornal brasileiro. O advogado afirma também ter sido lesado por Reginatto há 4 anos, embora não tenha revelado a quantia.

Desde dezembro de 2017, Renato teria comprado um apartamento em Nova York por US$ 6.5 milhões, uma casa em Miami (FL) por US$ 3.5 milhões e um barco de 64 pés (19.5 metros) por US$ 1.1 milhão. Além disso, ele possui 2 imóveis em Boston (MA) que juntos totalizam US$ 2.3 milhões. O dinheiro utilizado por ele nessas compras vêm de 4 contas localizadas em paraísos fiscais (offshore), citadas na Operação Encilhamento. Além disso, em abril desse ano, ele teria se desfeito de um apartamento no Jardim Paulista por R$ 1.199 milhão, que estava em nome de outra empresa dele, a Immobiliare.

O foragido é natural de Rio Claro (SP) e mantém empresas de investimentos e assessoria financeira nos EUA, onde tenta obter a residência legal permanente (green card). No processo de legalização, ele teria declarado que também possui a cidadania italiana e que, em 2017, viajou à China para negociar com uma companhia local.

O esquema teria sido descoberto em decorrência das delações na Operação Lava Jato, quando a PF começou a investigar os desvios nos fundos de pensão. Ele é apontado o pivô que conectava políticos em cidades do interior e alguns estados aos operadores do mercado financeiro na capital paulista. As autoridades especulam que um dos principais motivos de Renato ter fugido do Brasil seria o conhecimento dele do número grande de pessoas envolvidas no esquema e que estes mesmos indivíduos tentariam fazer qualquer coisa para evitar a delação dele.

Durante investigação, a PF descobriu 28 fundos que tinham quase todos eles dinheiro da previdência de cidades e estados. Os membros no esquema atuavam como quem fazia os investimentos e ao mesmo tempo os fiscalizava, portanto, os investidores somente tomavam conhecimento que haviam sido lesados no final do prazo dos investimentos. Os maiores rombos foram encontrados em Uberlândia (MG), onde aproximadamente R$ 380 milhões do fundo do município correm risco, e Paulínia (SP), que já pode ter perdido R$ 192.3 milhões.

Na Operação Encilhamento, que estuda o esquema de corrupção e fraude, a PF emitiu 20 mandados de prisão em nome dos suspeitos, entre eles Gilmar Machado, ex-prefeito de Uberlândia, a ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza, Fernanda de Lima, presidente da empresa Gradual, e Reginatto, que já estava nos EUA.

Em 2014, Renato concorreu ao cargo de deputado federal em São Paulo, mas não foi eleito.

 

 

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