Morte de Ana Trainer abala brasileiros em New Jersey

Foto6 Ana Trainer Morte de Ana Trainer abala brasileiros em New Jersey
Ana Trainer era muito popular na comunidade brasileira no bairro do Ironbound
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Ana Trainer atendia os clientes na academia montada no condomínio Carmem Court

Ana Randall foi encontrada sem vida na noite de quarta-feira (29), em East Rutherford

Na noite de quarta-feira (29), o falecimento da treinadora física Ana Randall, de 45 anos, natural do Amazonas, chocou a comunidade brasileira no bairro do Ironbound, em Newark. Ela, popularmente conhecida como “Ana Trainer”, residia na cidade de East Rutherford e foi encontrada já sem vida pelo ex-namorado norte-americano, Eli. Eles permaneceram amigos após o fim do relacionamento e, aparentemente, a brasileira tirou a própria vida através de asfixia por enforcamento.

Na noite de terça-feira (28), Ana postou em sua página do Facebook a seguinte despedida: “Vou sentir saudades de vocês, especial(mente) meus clientes”.

Ana treinou vários brasileiros no Ironbound e, segundo alguns deles, ela vinha sofrendo de dores fortes na coluna, mas o seguro de saúde dela não cobria a cirurgia. Uma postagem no Facebook na página dela, no sábado (25), registra o problema. “Estou cansada de estar lutando contra o seguro de saúde ou até mesmo o governo para consertar as minhas costas“, postou ela.

Na segunda-feira (27), Ana relatou novamente na rede social o drama vivido por ela: “Hoje eu acordei sem a função de andar, tentar (ficar) de pé, mas a dor na minha lombar! Pode até dar um passo à frente, o seguro de saúde deixou-me como um garbage (lixo)!”, postou ela.

Com a mensagem, Ana também postou uma imagem com o seguinte poema em inglês: “Eu percebi hoje que parei de viver a vida. Eu estou literalmente simplesmente tentando chegar ao dia seguinte, apenas vivendo com o pensamento no amanhã. Eu não estou vivendo, estou esperando. O problema é que eu não sei exatamente pelo o quê estou esperando. Eu tenho um pouco de medo do que possa ser” (Em tradução livre).

. Amigos chocados:

No domingo (19), a brasileira comemorou antecipadamente com amigos o aniversário em um restaurante no Ironbound; que seria na segunda-feira (20). Ela vivia nos EUA há aproximadamente 12 anos e mantinha uma academia de ginástica no condomínio Carmem Court, também no mesmo bairro. A morte prematura e súbita de Ana abalou amigos e clientes. Muitos a descreveram como uma pessoa alegre, animada, profissional e que praticava e incentivava as pessoas que treinaram com ela a manter um estilo de vida saudável. Vários deles postaram mensagens de pesar no Facebook.

“Aninha vai em paz pequena. Sua missão na terra foi cumprida e agora sua nova jornada ao lado do Senhor começa. Fica em paz amore”, postou Wagner Kevin.

“Minha querida Ana Trainer que tristeza acordar agradecendo a Deus por mais um dia de vida e saber que você perdeu a sua. E amiga não esta fácil saber que você se foi e nem se despediu. Lembra aquela vez que você salvou a minha vida? pois e eu não pude salvar a sua, quando te mandei mensagem você não estava mais entre nós. Fiquei nervosa viu achei que você estava me ignorando, mas você já tinha partido. Sentirei muitas saudades de você e de todos momentos que tivemos juntas. descanse em paz”, postou Ella Scotton Scafutto.

“Hoje o dia está triste. A cidade de Newark está de LUTO. Muitas lágrimas derramadas por uma imensidão de amigos que você deixou…”, postou Alessandra Bragança.

“R.I.P. Ana! Inacreditável”, postou Evandro Costa Silva.

. Funeral:

Ana deixou uma filha no Brasil, Jessica, que já foi notificada do falecimento e tentará o visto de emergência para os EUA para que assim possa dar o último adeus à mãe. Randall não tem parentes nos EUA. Ainda segundo amigos, ela não queria que seu corpo fosse enviado ao Brasil caso morresse, portanto, existe a possibilidade de cremação ou sepultamento após o funeral. Até à tarde de quinta-feira (30) ainda não haviam sido divulgadas informações sobre o velório, cremação ou sepultamento.

. O inimigo silencioso:

A distância dos familiares, a impossibilidade de visita-los, dar um abraço apertado, rever amigos e lugares vividos na infância, problemas no trabalho, são alguns dos fatores que contribuem para a crescente incidência dos casos de depressão na comunidade brasileira no exterior. Até há pouco tempo considerada “frescura”, a depressão vem fazendo cada vez mais vítimas entre os imigrantes. Recentemente, vários brasileiros tiraram a própria vida ou foram encontrados mortos, em circunstâncias ainda investigadas, em diversos países e, conforme o depoimento das pessoas que conviveram com eles, a tristeza profunda foi uma das características percebidas.

. Grupo de ajuda:

No início de 2017, a Fundação João José Santos realizou uma palestra grátis sobre prevenção do suicídio em New Jersey. Durante o encontro, foram abordados os seguintes tópicos: Formas de lidar com a depressão, como uma alimentação saudável pode beneficiar quem sofre de depressão, como reconhecer sinais de suicídio e estabelecer um plano de ajuda, recursos comunitários disponíveis, entre outros. O programa, em português e inglês, é aberto ao público. A Fundação foi criada em homenagem ao imigrante português João José Santos, que perdeu a luta contra a depressão. Com frequência, a entidade realiza palestras e organiza grupos de apoio, em língua portuguesa, sobre o tema. Mais informações sobre a João José Santos podem ser obtidas através do website: www.thejohncharitable.org

 

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