ONG denúncia casos de pedofilia em abrigos para imigrantes

Foto21 Criancas em abrigo ONG denúncia casos de pedofilia em abrigos para imigrantes
Os arquivos contradizem a alegação da administração Trump de que os abrigos são seguros para as crianças
Foto21 Oscar P. Trujillo ONG denúncia casos de pedofilia em abrigos para imigrantes
Oscar P. Trujillo, funcionário de um abrigo, foi condenado por assediar e molestar sexualmente um jovem de 15 anos

A política de “tolerância zero” da administração Trump resultou na separação de milhares de crianças, muitas delas adolescentes

Apenas 5 dias depois que ele chegou aos EUA, o adolescente hondurenho de 15 anos acordou no abrigo dele, em Tucson (TX), numa manhã de 2015, ao sentir um funcionário passar os dedos sobre o peito e a barriga dele. Quando o jovem perguntou ao funcionário do abrigo, que tinha 46 anos, o que ele fazia, o homem foi embora. Entretanto, o funcionário retornou mais 2 vezes, acariciando o pênis do jovem por cima da roupa e tentando passar a mão sob a cueca do adolescente.

“Eu sei o que você quer; eu posso dar-lhe tudo o que você precisa”, disse na ocasião o funcionário, Oscar P. Trujillo, que posteriormente foi condenado por assediar e molestar o menor.

Em 2017, um adolescente de 17 anos estava se recuperando de uma cirurgia num abrigo quando acordou e encontrou um funcionário ao lado da cama dele. “O seu é muito grande”, disse-lhe o homem, referindo-se ao pênis do jovem. Dias depois, o mesmo funcionário roçou-se no adolescente quando ele jogava videogame. Quando o funcionário se aproximou dele novamente, ele correu e trancou-se no banheiro.

Em janeiro de 2018, um segurança num abrigo descobriu recados na jaqueta de um menor que sugeriam uma relação inapropriada entre ele e um funcionário.

Uma menina de 6 anos de idade foi molestada sexualmente pelo menos 2 vezes num abrigo no Arizona. Como resultado, ela teve que assinar uma declaração de que “manteria distância” do molestador, publicou o jornal The Nation. A menina, identificada pelas iniciais D.L., e a mãe dela fugiram da violência das gangues de rua na Guatemala. Em maio, elas buscaram asilo num posto de entrada em El Paso (TX). Dois dias depois, agentes do Departamento de Imigração (ICE) separaram mãe e filha e enviaram a criança a um abrigo em Phoenix, administrado pela Southwest Key Programs. O primeiro ataque teria ocorrido em junho, perpetrado por uma criança mais velha no mesmo abrigo.

Tendo como base os boletins de ocorrências policiais (BO), a ONG PróPublica obteve acesso a casos envolvendo mais de 70 dos 100 abrigos administrados pelo Escritório de Reassentamento de Refugiados do Departamento de Saúde & Serviços Humanos (HHS). Os arquivos contradizem a alegação da administração Trump de que os abrigos são seguros para as crianças. Os relatórios documentam centenas de denúncias de abuso sexual, brigas e crianças desaparecidas.

A política de “tolerância zero” resultou na separação de milhares de crianças, muitas delas adolescentes, embora, em 2017, 17% delas tinha idade abaixo de 13 anos. Numa ocasião, os 17 abrigos de todo o país chegaram a abrigar cerca de 10 mil adolescentes.

. Mina de ouro:

“Se você é um predador, isso é uma mina de ouro”, disse Lisa Fortuna, diretora do Departamento de Psiquiatria Infantil & Adolescente do Boston Medical Center. “Você tem acesso integral e também crianças que já possuem o histórico de serem vitimadas”.

Os boletins de ocorrência conseguidos pela PróPública revelaram que ao longo dos últimos 5 anos a polícia respondeu a 125 denúncias de abusos sexuais que teriam ocorrido nos abrigos que basicamente atendem menores imigrantes. Esse número não incluem as outras 200 denúncias envolvendo jovens em situação de risco que vivem nos EUA. As ligações telefônicas vindas desses abrigos não distinguem que denúncias se relacionam aos imigrantes desacompanhados e outros jovens que vivem nesses abrigos.

Psicólogos que trabalham com os jovens imigrantes disseram que os arquivos não incluam a totalidade do problema, pois muitas crianças não denunciam os abusos por medo de que isso afete o caso migratório delas.

 

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