Partido de Trump perde a liderança da Câmara e mantém Senado

Foto1 Donald Trump Partido de Trump perde a liderança da Câmara e mantém Senado
A conquista da Câmara pelos democratas mudará toda a dinâmica no Capitólio e exporá Trump a um tipo de vigilância que ele nunca havia enfrentado antes

O resultado das eleições intermediárias nos EUA influenciará profundamente a agenda política da administração atual

As eleições intermediárias de terça-feira (6) nos EUA foram as mais esperadas, antecipadas e assistidas dos últimos anos. A razão foi simples: O resultado influenciará, a partir de agora, profundamente a agenda política do Presidente Donald Trump.

A votação na noite de terça-feira não culminou em grandes vencedores de ambos os lados, entretanto, o partido de Trump perdeu a maioria na Câmara dos Deputados. Além de ferir o orgulho político dos republicanos, os legisladores democratas dominarão o Comitê da Câmara e poderão agora convocar qualquer pessoa para interrogatório em tribunal (Subpoena). Isso poderá resultar em problemas para Trump, a administração dele e até mesmo seus contatos comerciais.

Os democratas tendem a conquistar 35 assentos na Câmara dos Deputados, embora os resultados ainda não sejam finais. Esse resultado segue a norma histórica para o partido do presidente em sua primeira eleição intermediária. Na primeira eleição intermediária do Presidente Barack Obama, em 2010, os democratas sofreram derrota desastrosa, perdendo 63 assentos. Em 1994, o Presidente Bill Clinton viu o Partido Democrata perder 54 assentos.

. Republicanos mantém o Senado:

Também importante, os republicanos superaram as expectativas no Senado, conquistando pelo menos 3 assentos ocupados por democratas, ou seja, os senadores Joe Donnelly (Ind.), Heidi Heitkamp (N.D.) e Claire McCaskill (Mo.) perderam, enquanto o senador democrata Bill Nelson (FL) ficou atrás do rival republicano. O Partido Republicano sofreu a sua primeira derrota no Senado às 2 horas da madrugada, na quarta-feira (7), quando o Deputado Jacky Rosen derrotou o Senador Dean Heller (Rep.) em Nevada. Entretanto, essa vitória pode ser neutralizada pelo resultado em Montana, onde o Senador Jon Tester (D) ficou atrás do oponente republicano Matt Rosendale, também na madrugada de quarta-feira.

Realisticamente, a noite de terça-feira (6) poderia ter sido muito melhor para o Partido Republicano (GOP) no Senado. Com duas disputas acirradas ainda ocorrendo no Arizona e Montana, o GOP conquistou entre 2 e 4 assentos. Certamente, Trump comemorará a vitória no Senado como uma forma de revanche.

. O que muda?

Os democratas conquistaram a liderança na Câmara dos Deputados, provavelmente, mas, não definitivamente, para a atual Líder da Minoria Nancy Pelosi (D-CA). Sendo assim, eles poderão bloquear a maioria da agenda doméstica de Trump, caso o queiram, entretanto, há menos entusiasmo para esse tipo de tática entre os líderes do partido do que na base eleitoral. Esse resultado mudará toda a dinâmica no Capitólio e exporá Trump a um tipo de vigilância que ele nunca havia enfrentado antes.

A ideia de que ocorreria o repúdio generalizado contra a administração Trump, retirando os republicanos de assentos em distritos considerados seguros, simplesmente não ocorreu. Entretanto, isso não minimiza a importância, simbólica e prática, do fato de os democratas terem conquistado o controle da Câmara dos Deputados. Mas, se alguém da esquerda acreditava que a vitória de Trump em 2016 foi um mero “golpe de sorte” ou que ele seria derrotado facilmente em 2020, os eleitores enviaram um alerta claro na noite de terça-feira (6). Além disso, o resultado misto das eleições fez com que Trump se parecesse menos com uma “bomba relógio” do que os críticos republicanos dele acreditavam.

 

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