Política anti-imigrante causa falta de mão-de-obra e revolta fazendeiros

Foto24 Catadores de tomates na Florida Política anti imigrante causa falta de mão de obra e revolta fazendeiros
Catadores de tomate na Flórida, um dos maiores estados produtores nos EUA

Os agricultores temem não encontrar trabalhadores em quantidade suficiente para colherem a produção

As regiões rurais nos Estados Unidos apoiaram o Presidente Donald Trump nas eleições, entretanto, enquanto os fazendeiros se preparam para vê-lo discursar na conferência do American Farm Bureau Federation (AFBF), na segunda-feira (8), um assunto vem à tona: A falta de mão-de-obra. A postura dura da administração Trump com relação à imigração e o foco nas deportações têm feito com que os fazendeiros se preocupem com a possibilidade de não encontrarem trabalhadores suficientes para colher a produção. Esse é apenas um dos assuntos principais, além da balança comercial, que vão contra os interesses dos agricultores.

A falta de trabalhadores “é o maior fator de limitação que temos em nossas fazendas atualmente”, respondeu Zippy Duvall, presidente da AFBF, sobre o que gostaria de dizer a Trump. O órgão, o maior grupo de fazendeiros nos EUA, realizará a convenção em Nashville, Tennessee.

Aproximadamente 1 quarto da mão-de-obra nas fazendas do país, mais de 300 mil pessoas, não possuem documentos para trabalhar legalmente nos EUA, revelou uma pesquisa realizada pelo Pew Hispanic Center. Outros estudos calculam que o número pode ultrapassar 1 milhão e atingir até 70% de toda mão-de-obra. Uma política focalizada no fechamento das fronteiras poderia mudar 61% da produção de frutas nos EUA para outros países e criar postos de trabalho em nações vizinhas como o México, segundo os resultados de uma pesquisa encomendada pela AFBF.

Aqueles preocupados com o destino dos aproximados 11.1 milhões de imigrantes indocumentados poderão sentir saudades da época em os EUA atraía facilmente trabalhadores mexicanos. Enquanto a geração conhecida como “baby-boom”, pessoas nascidas nas gerações de 40 e 50 se aproximam da aposentadoria e a taxa de natalidade no México diminui, o país enfrentará a falta de mão-de-obra, qualificada ou não e dependerá de outros países para suprir a crescente demanda, segundo a analista Shannon O’Neil em seu novo livro: “Duas Nações indivisíveis: México e Estados Unidos e a Estrada à Frente”.

“Esta combinação pode levar rapidamente a uma reviravolta neste assunto polêmico (imigração)”, escreveu O’Neil. “Desesperados para suprir a falta de mão-de-obra na América, na próxima década nós poderemos estar implorando aos mexicanos para virem aos Estados Unidos”.

A imigração é apenas um aspecto do livro de O’Neil, que visa lançar as bases de como os EUA podem criar uma relação benéfica e mútua com o país vizinho, tanto economicamente quanto diplomaticamente. O’Neil é membro do Conselho de Relações Exteriores.

 

 

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