População dos subúrbios de NY se opõe à carteira de motorista para indocumentados

Foto24 Protesto em NYC População dos subúrbios de NY se opõe à carteira de motorista para indocumentados
Nova York tem a 3ª maior população não documentada dos EUA, com cerca de 940 mil pessoas

Senadores têm sido cautelosos para não alienarem seus eleitores e, possivelmente, prejudicar suas chances de reeleição

O tema é uma das questões mais controversas da Assembleia Legislativa este ano em Nova York e os democratas temem que isso possa colocá-los em situação política difícil. Nos 12 anos desde que a violenta reação pública forçou o Governador Eliot Spitzer a abandonar a proposta de oferecer carteiras de motorista aos imigrantes indocumentados, Nova York moldou grande parte de sua identidade política em torno de um compromisso com questões envolvendo os imigrantes.

Essa postura tornou-se especialmente aparente durante o governo do Presidente Donald Trump, quando o Governador Andrew M. Cuomo e uma nova maioria democrata na Assembleia Legislativa perdoaram imigrantes indocumentados, concederam a eles acesso a bolsas de estudo universitárias e limitação dos delitos passíveis de deportação, em um esforço para posicionar o estado como o oposto de Washington-DC. Entretanto, mesmo que essas medidas tenham passado em Albany (NY), uma proposta permaneceu suspensa: A permissão de que imigrantes indocumentados dirijam legalmente.

Apesar dos esforços de ativistas para considerar a ideia um benefício econômico quanto um imperativo da justiça social, o projeto de lei batizado de “Green Light” enfrentou persistente oposição das autoridades de segurança e de grande parte do público. Os republicanos postaram anúncios no Facebook denunciando a proposta. Até mesmo o Comitê Republicano Nacional do Congresso criticou o projeto de lei de Nova York, na semana passada.

. Moradores nos subúrbios são contra:

A oposição (democratas) tomou posse no Senado estadual, onde legisladores de distritos suburbanos moderados, muitos dos quais venceram por margens bastante estreitas no ano passado,  dominam. Esses senadores têm sido cautelosos este ano na defesa de algumas das causas da esquerda progressista, preocupados com a possibilidade de alienar seus eleitores e, possivelmente, prejudicar suas chances de reeleição.

Enquanto a Assembleia do Estado, que é liderada pelos legisladores municipais, aprovou o projeto na quarta-feira (12), o Senado não agendou a medida para votação. Vários democratas na Assembleia votaram contra. O senador estadual, John J. Flanagan, republicano de Long Island (NY), disse que aprovar a lei de carteira de motorista seria um “erro político colossal” para os democratas.

Cuomo, um democrata, declarou seu apoio à ideia, dizendo em maio que a proposta era uma de suas 10 prioridades legislativas para o restante da sessão. Entretanto, ele também sugeriu que as pessoas não esperassem que a proposta passe antes que a sessão termine na quarta-feira (19). Inclusive, um dos aliados mais fiéis de Cuomo recomendou explicitamente aos parlamentares do subúrbio que não votassem na proposta.

Defensores dos direitos dos imigrantes e legisladores progressistas alegam que a hesitação política poderia sugerir a fraqueza da retórica pró-imigrante de Nova York.

“Eu gostaria de acreditar que essa ‘onda azul’ também veio com a coragem política de fazer a coisa certa”, disse a parlamentar Catalina Cruz, democrata do Queens (NY). Cruz, que já foi indocumentada, venceu as eleições em 2018. Ela acrescentou: “Eu gostaria de acreditar que as comunidades imigrantes são mais do que apenas um ponto de discussão durante as eleições”.

Doze outros estados e Washington-DC permitem que imigrantes indocumentados dirijam. Nova York tem a 3ª maior população não documentada do país, com cerca de 940 mil pessoas, segundo o Instituto de Política Migratória (MPI), um grupo sem fins lucrativos.

O debate sobre a carteira de motorista envolveu várias administrações e o impasse tem durado décadas. Antes de 2001, os residentes de Nova York podiam solicitar carteira de motorista, independentemente do status de imigração. Mas depois dos ataques de 11 de setembro, o Governador George E. Pataki, um republicano, começou a exigir que os candidatos tivessem o número do Seguro Social, efetivamente afetando os imigrantes indocumentados. Em 2007, Spitzer, um democrata, anunciou que iria anular essa política, apenas para enfrentar um clamor feroz em todo o país, mesmo entre os liberais. Os oponentes da época incluíam Kirsten Gillibrand, então membro da Câmara dos Deputados, Hillary Clinton, demonstrando indecisão, se manifestou contra ela; e a Governadora Interina Kathy Hochul, então a funcionária do condado de Erie. Todos os três, desde então, inverteram suas posições. Diante da queda na aprovação e dos protestos dos funcionários estaduais, que emitem as carteiras de motorista, Spitzer suspendeu sua proposta em menos de 2 meses depois.

Em 2019, os ativistas acreditavam que sua batalha há muito tempo disputada finalmente terminaria. Mas, enquanto as políticas de imigração de Trump mobilizaram a base democrata, os oponentes montaram uma campanha vigorosa e eficaz contra a proposta. Uma pesquisa de opinião divulgada na segunda-feira (17) pelo Siena College revelou que mais da metade dos nova-iorquinos entrevistados se opôs à concessão de carteiras para imigrantes indocumentados.

O senador John J. Flanagan, um legislador de Long Island (NY) que lidera a minoria republicana, disse recentemente que aprovar o projeto seria um “erro político colossal” para os democratas. Nick Langworthy, o novo presidente do Partido Republicano, considerou o projeto um produto da “extrema esquerda” que demonstrou desdém pelo estado de direito.

Os funcionários do condado denunciaram novamente a proposta, com alguns deles prometendo levar a proposta nos tribunais, caso ela se torne lei, e os xerifes dos condados advertiram que isso restringiria a capacidade de reforçar a segurança no trânsito.

 

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