Separados na fronteira, brasileira processa EUA para ter filho de volta

Foto4 Diogo e Lidia Karina Souza 1 Separados na fronteira, brasileira processa EUA para ter filho de volta
A brasileira Lídia Karina de Souza, de 27 anos, e o filho Diogo, de 9 anos (Foto: Acervo pessoal)

Lídia Karina Souza disse às autoridades americanas que sofre perigo se retornar ao Brasil, portanto, planeja pedir asilo

A última vez que Lídia Karina Souza, de 27 anos, conversou com o filho por telefone foi em no 9º aniversário dele há 1 semana. Ela havia sido liberada de um centro de detenção de imigrantes duas semanas antes, mas ela não pôde dizer a Diogo, que foi separado dela logo que eles cruzaram clandestinamente a fronteira entre o México e os EUA, quando se veriam novamente. As informações são do jornal The New York Times.

“Não chore. Você ganhará um Nintendo (jogo eletrônico), uma festa de aniversário. Não se preocupe”, disse Souza. A ligação telefônica foi gravada e compartilhada como jornal The New York Times.

Eles foram separados na fronteira em 30 de maio, quando a brasileira foi detida e Diogo levado de avião a Chicago (Ill.), onde foi posto num abrigo. Lídia foi liberada no sábado (9) e permitida se juntar a parentes em Hyannis (MA), entretanto, ainda não sabe quando verá novamente o filho. “Eu farei tudo para te tirar daí”, prometeu ela na ligação. “São tantos papéis que eles precisam”.

. Crianças separadas dos pais:

Parte do problema é que, em muitos casos, pais e filhos são detidos a milhares de milhas de distância e os adultos não sabem exatamente onde as crianças estão. Embora o Governo Federal tenha registrado cada criança com um número de identificação e instalado linhas telefônicas diretas para os pais, ativistas denunciaram que muitos deles não conseguem efetuar as chamadas ou não recebem resposta quando ligam.

“Você não precisa ser um especialista em relações exteriores para saber que a situação criada pela tolerância zero deixou muitas pessoas com confiança zero de que a administração atual consiga rapidamente reunir as crianças e os pais”, disse o Senador Chuck Schumer durante uma coletiva de imprensa. Ele frisou que existem 3 órgãos governamentais responsáveis pela situação. “Ninguém realmente é responsável se existem três pessoas responsáveis”.

. Chegada à fronteira:

Lídia e Diogo se entregaram a patrulheiros em 29 de maio, alegando que tinham medo de retornar ao Brasil e, portanto, desejavam obter asilo nos EUA. No dia seguinte, um agente, utilizando a ferramenta online Google Translate, detalhou ela, enquanto o menino chorava, que porque ela não se apresentou à uma Alfândega, a entrada deles nos EUA era considerada ilegal, então, ela iria ser presa e o menino encaminhado a um abrigo. A criança viu a mãe ser algemada. “Eu disse a ele que eu não iria para a cadeia. Eu vou para um lugar onde estão outras mães. Você irá para um lugar para crianças”.

Souza compareceu ao tribunal federal em El Paso (TX), onde ela assumiu a culpa por ter entrado clandestinamente nos EUA. Após passar por 3 centros de detenção e 10 dias depois, a brasileira foi autorizada a se reencontrar com parentes em Massachusetts, após passar por uma entrevista na qual teve que provar que o receio de voltar ao Brasil era legítimo. Antes que as autoridades a deixassem em Dallas (TX) para que ela embarcasse no voo para Boston (MA), os agentes deram-lhe o número de uma linha telefônica grátis para que ela pudesse ligar e localizar Diogo. Ela tentou o número quando chegou em Massachusetts, mas não conseguiu falar com ninguém.

. Menino contraiu catapora:

“Eu estava devastada, desesperada, louca”, disse Lídia. Evangélica, ela relatou que busca força nas orações. Após duas semanas, ele soube que Diogo havia contraído catapora e, por isso, ficou isolado das outras crianças. Ele chorou, pedindo para que a mãe dele fosse busca-lo. Desde então, mãe e filho foram permitidos falar por telefone duas vezes por semana, durante 10 minutos cada.

“Já se passaram 16 dias, mas não se preocupe”, disse Souza durante uma ligação telefônica gravada ao filho. “Está chegando ao fim. Esteja bem. Esteja com Jesus. Com Deus ao seu lado, tudo terminará bem”.

. Atraso aborrece advogado:

“Eles disseram que ela poderá reaver o filho somente em agosto. Isso é completamente inaceitável. Que tipo de processo de reunificação é esse? Isso foi tolerância zero, planejamento zero, pensamento zero”, desabafou Jesse Bless, advogado de defesa da brasileira e que assumiu o caso gratuitamente.

 

 

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