Sócio da TelexFree pode pegar 10 anos de cadeia

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James Merrill era o executivo chefe da TeleFree, administrando as operações diárias da empresa, com sede em Marlborough (MA)

James Merrill admitiu ter ajudado a administrar o esquema de pirâmide que movimentou milhões de dólares nos EUA

Em outubro do ano passado, James Merrill compareceu ao tribunal em Massachusetts e repetiu a palavra “culpado” nove vezes por sua participação na companhia TelexFree. O réu, de 55 anos, assumiu a culpa no caso apresentado por promotores públicos federais relacionado a um esquema de pirâmide internacional que envolveu 2 milhões de participantes de literalmente todo lugar do mundo. Em Massachusetts, as principais vítimas foram imigrantes brasileiros e dominicanos.

O sócio do réu, Carlos Wanzeler, permanece foragido no Brasil, mas Merrill decidiu assumir a culpa para se livrar de uma possibilidade pior: 180 anos de prisão, caso seja considerado culpado no julgamento formal. No acordo com o governo, ele cumprirá até 10 anos de detenção.

Merrill era o executivo chefe da TeleFree, administrando as operações diárias da empresa, com sede em Marlborough (MA), entre fevereiro de 2012 e abril de 2014, disse o promotor público assistente, Andrew Lelling, na audiência. Ele detalhou que cerca da metade dos participantes, aproximadamente 1 milhão, perderam quase US$ 1.8 bilhão no esquema, que começou como um negócio de serviços telefônicos via internet.

Ele admitiu ter tido “descompromisso com a verdade” no caso, segundo seu advogado de defesa, Robert Goldstein, no tribunal, pois tinha conhecimento do crescimento da fraude, mas não agiu cedo o suficiente para pará-la ou denunciá-la.

“Jim aceita a responsabilidade pela participação”, disse Goldstein. “Ele está arrependido, extremamente arrependido, pela função em que atuou”.

O advogado acrescentou que Merrill nunca planejou para que a TelexFree se transformasse numa fraude. “O Jim sente um arrependimento incrível que alguém tenha perdido até mesmo um centavo”, comentou.

Entretanto, a Promotoria Pública alegou que Merrill ignorou os alertas que a companhia rumava ao desastre, depois que o negócio se transformou num esquema de pirâmide financeira. Durante conferências luxuosas, conhecidas como “extravagâncias”, disse Lelling, vídeos mostram Merrill agradecendo os investidores por acreditarem na companhia.

A TelexFree foi fundada no Brasil e vendia planos de telefonia via a internet, detalharam os promotores públicos, entretanto, a maior parte do dinheiro injetado na empresa veio das contas abertas pelos clientes no valor de US$ 1.425 cada, que concordavam em postar anúncios da TelexFree na internet. Tais anúncios não foram vistos por ninguém.

A empresa concedia créditos aos seus membros de centenas de milhões de dólares pelos anúncios postados e dava bônus pelo recrutamento de novos participantes. Os investidores iniciais conseguiram receber dinheiro por seus créditos, ajudando a alimentar o frenesi com relação à TelexFree e seus ganhos fáceis. Entretanto, em abril de 2014, a empresa devia US$ 5 bilhões em crédito aos clientes e possuía somente US$ 120 milhões na conta bancária. Com a crescente falta de dinheiro, os membros tentaram recuperar o dinheiro investido, gerando uma “corrida ao banco”, disse Lelling.

A empresa apresentou pedido de falência e as autoridades federais vasculharam o escritório da TelexFree no mesmo mês. Até o momento 119 mil pessoas de toda a parte do mundo apresentaram pedidos de ressarcimento à autoridade encarregada da falência. A conclusão do caso de Merrill permitirá que o encarregado libere mais de US$ 100 milhões confiscado da TelexFree e os devolva às vítimas.

 

 

Sobre o autor

O jornalista Leonardo Ferreira é formado em Comunicação Social pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso – FACHA, sediada no Rio de Janeiro - RJ.

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