Trump pagou US$ 4 a hora para indocumentados na construção da Trump Tower

Foto23 Donald Trump Trump pagou US$ 4 a hora para indocumentados na construção da Trump Tower
Trump ameaçou denunciar os operários ao INS para deportá-los, conforme o advogado John Szabo

Os estrangeiros trabalharam sem proteção e em turnos de até 16 horas por dia

O Presidente Donald Trump empregou 200 trabalhadores poloneses indocumentados, os quais receberam US$ 4 a hora para demolirem a loja de departamentos onde hoje fica a Trump Tower, em Manhattan (NY), segundo documentos divulgados recentemente por um tribunal. Em 1980, o magnata do mercado imobiliário contratou a equipe de operários indocumentados para trabalhar em turnos pesados que duravam até 16 horas por dia sem o uso de luvas, capacetes protetores e máscaras. O trabalho: a demolição do prédio Bonwit Teller, na 5ª Avenida, publicou o jornal New York Times.

Apesar de Trump alegar que não faz acordos em ações judiciais, ele pagou US$ 1.37 milhão em 1998, após um processo apresentado por um sindicato que se arrastou por 15 anos, segundo documentos arquivados no tribunal que foram divulgados semana passada depois de quase 2 décadas.

O jornal Daily News publicou que os documentos arquivados e esquecidos foram encontrados em julho, após o Time Inc. descobri-los em 2016. A companhia apresentou uma moção para liberá-los junto ao Reporters Committee for Freedom of the Press. Semana passada, a Juíza Loretta Preska, da Corte Federal do Distrito Sul, decidiu a favor da moção, determinando que o público tinha o direito de saber visto que o acusado é atualmente o Presidente.

Trump contratou o construtor William Kaszycki para o trabalho de demolição e, posteriormente, alegou no tribunal que nunca soube que tivesse imigrantes indocumentados trabalhando para ele. Entretanto, o chefe de equipe Zbignewe Goryn testemunhou na Corte que Trump visitou o local da obra e disse-lhe: “Esses caras poloneses são bons, trabalhadores dedicados”.

Wojciech Kozak, agora um cidadão naturalizado de 75 anos, lembrou-se das “condições, terríveis, horríveis” na demolição da loja de departamentos.

“Nós trabalhávamos 12, 16 horas por dia e recebíamos US$ 4 por hora. Porque eu trabalhava com tocha de acetileno, eu recebia US$ 5 a hora. Nós trabalhávamos sem máscaras. Ninguém sabia o que era asbestos. Eu era um imigrante. Eu trabalhei bastante arduamente”, disse o antigo operário.

Quando Kaszycki parou de pagar os trabalhadores, eles contrataram os serviços do advogado John Szabo.

Trump, ansioso para que as torres que carregam o nome dele estivessem no prazo, tentou primeiramente negociar com os operários, segundo uma testemunha. Além disso, ele ameaçou denunciá-los ao antigo Serviço de Imigração & Naturalização (INS) para deportá-los, conforme Szabo.

Dos US$ 1.37 milhão do acordo, US$ 500 mil foi para o fundo de benefícios sindicais e o resto para o pagamento dos honorários dos advogados e despesas.

 

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