Trump quer negar green card a imigrantes de baixa-renda

Foto23 USCIS Trump quer negar green card a imigrantes de baixa renda
Os benefícios sociais recebidos seriam considerados “fatores altamente negativos” na aquisição da residência legal permanente ou vistos de estadia temporária

O recebimento de benefícios públicos antes da obtenção do green card poderia bloquear o processo, conforme proposta

A ação mais recente no combate à imigração clandestina e diminuição da imigração legal por parte da administração Trump, o Departamento de Segurança Nacional (DHS) apresentou no sábado (22) uma proposta polêmica. O projeto de lei permitiria que as autoridades negassem a residência permanente aos imigrantes legais, casos os familiares deles obtivessem cupons para alimentos, subsídio em remédios controlados, auxílio habitação (Section 8), Medicaid, Medicare, Obamacare e outros benefícios sociais que não incluam dinheiro. Esses benefícios seriam considerados “fatores altamente negativos” na aquisição da residência legal permanente ou vistos de estadia temporária.

A proposta, sujeita a um período de comentários públicos, tende a ser desafiada nos tribunais. Ativistas defensores dos direitos dos imigrantes alegam que tal medida afastará famílias carentes de programas que elas necessitam desesperadamente com receio que a ajuda ponha em risco a aquisição da residência legal permanente (green card). O website político postou que a possibilidade de aprovação da proposta já fez com que alguns imigrantes recusassem ajuda governamental, até leite em pó para bebês, pois muitos deles temem que isso prejudique a possibilidade de obtenção do green card.

A secretária do Departamento de Segurança Nacional (DHS), Kirstjen Nielsen, alegou que a proposta “promove a independência dos imigrantes e protege os recursos finitos ao garantir que os estrangeiros não se tornem um peso para os contribuintes americanos”.

Ativistas rebateram que inúmeras pessoas temerosas de terem vistos e o green card negados sejam coagidos a sair de programas públicos de ajuda, mesmo que corram o risco de perder a casa ou até mesmo passar fome. Marielena Hincapie, diretora executiva do National Immigration Law Center, considerou a proposta “um ataque desumano contra a saúde e bem-estar de inúmeras famílias imigrantes por todo o país”.

“Esta medida proposta, deixa claro que a administração Trump continua a priorizar dinheiro em detrimento da união familiar ao garantir que somente os mais ricos possam arcar financeiramente com a criação de um futuro nesse país”.

Todd Schulte, presidente do grupo FWD.us, disse que “essa política custará a longo prazo aos Estados Unidos a limitação das contribuições feitas por imigrantes trabalhadores que poderiam tornarem-se residentes legais e isso não beneficia ninguém”.

Apresentada a menos de 7 semanas das eleições intermediárias, a proposta pode ajudar a mobilizar os eleitores que apoiam o combate da administração Trump na imigração clandestina e legal. Conforme um artigo publicado no jornal The New York Times, o conselheiro principal de Trump em assuntos migratórios, Stephen Miller, tem pressionado “arduamente” a favor da nova medida nos últimos meses. A nova regra se aplicaria àqueles que aplicam para vistos e a residência permanente, mas não afetaria os portadores do green card que aplicassem para a cidadania americana.

O público tem 60 dias para comentar a proposta. O DHS deve levar em consideração todos os comentários e poderá efetuar mudanças nela antes da apresentação nos próximos meses.

 

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