Vítima de violência doméstica acusa polícia de denunciá-la ao ICE

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Andréa Aiello relatou que foi presa e levada à delegacia (3rd Precinct), na Market St. (Foto: BV)

Andréa Aiello foi presa 2 dias antes da audiência contra o marido americano

Na manhã de terça-feira (29), marcou o início do pesadelo vivido pela capixaba Andréa Aiello, residente no bairro do Ironbound, em Newark. A brasileira entrou nos Estados Unidos há 12 anos através da fronteira com o México e foi detida pela Patrulha da Fronteira (BP), portanto, na ocasião foi emitida uma ordem de deportação em nome dela. Durante 2 anos e 4 meses, ela morou com o marido norte-americano, mas em fevereiro se separou dele devido às agressões verbais e físicas constantes, segundo ela.

Andréa limpa casas, é mãe de 3 filhas de 3, 10 e 14 anos, e alega ter sido agredida fisicamente pelo marido 2 vezes. As crianças não são filhas do esposo atual, detalhou. Na ocasião, o processo de legalização da brasileira estava praticamente parado, em parte devido à forma como ela entrou no país. Na tentativa de ter a segunda acusação na justiça retirada, Andréa disse que o esposo teria pedido-lhe que desistisse da acusação, oferecendo em troca a legalização dela e do filho que mora no Brasil. Decidida em levar o caso adiante, ela não retirou a queixa e foi presa por 2 policiais dois dias antes da audiência, que ocorreu na quinta-feira (31). O caso ainda está em disputa na Corte e os acusados são considerados inocentes até que seja provado o contrário.

. Policiais à paisana:

Na segunda-feira (4), a brasileira relatou à equipe de reportagem do BV que às 6:44 da manhã dois policiais à paisana bateram na janela da casa onde mora. Os homens teriam dito-lhe que havia um problema com um carro em frente à casa dela. Sem desconfiar, Andréa abriu um pouco a porta quando foi empurrada pelos agentes que a informaram que “eram da imigração” e que ela estava sendo presa, segundo a brasileira. Um dos agentes, identificados por ela como Ralph Ramos e John Rodrigues, tentou algemá-la e a arrastá-la na direção de um veículo preto. Pensando que se tratava de um sequestro, ela começou a gritar por socorro, chamando a atenção das 3 filhas e dos vizinhos. Quando a filha mais velha tentou abrir a porta do carro para libertar a mãe, a brasileira relatou que um dos policiais teria proferido xingamentos à adolescente e ameaçado prendê-la também.

. Obrigado Trump!

Durante o trajeto a caminho da delegacia, na 649 Market Street (3rd Precinct), Andréa relatou que os policias riam, debochavam e agradeciam o Presidente Donald Trump com frases do tipo “Thank you, Donald Trump!” e “I love Donald Trump!”. Na delegacia, ela questionou por que estava sendo presa, pois não havia feito nada de errado e foi informada que havia uma ordem de deportação em nome dela, enquanto os policiais contatavam o Departamento de Imigração (ICE). Antes de o agente de imigração chegar à delegacia, Andréa alegou ter dito aos policiais que ela tinha um processo de violência doméstica contra o marido americano. Ela foi encaminhada ao centro de detenções do ICE em Elizabeth.

“Eles ficaram surpresos e me perguntaram por que eu não tinha falado isso antes. Eu respondi porque não tive chance, pois eles (os policiais) berravam comigo e não escutavam nada que eu falava”, relatou.

. Audiência na Corte:

O advogado que representa o marido de Andréa possui escritório no Ironbound, portanto, ela especula que os policiais a prenderam para que ela não comparecesse à audiência e testemunhasse contra o marido. A advogada que a representa a brasileira enviou o número do caso migratório ao ICE e Andréa foi liberada poucas horas depois. A desconfiança dela com relação ao envolvimento do marido em sua prisão aumentou mais ainda quando ela compareceu à audiência.

“Ele e o advogado dele levaram um susto, parecia que eles não acreditavam no que estavam vendo. O meu marido ficava o tempo todo atrás do meu advogado querendo negociar com ele”, relatou Andréa.

A próxima audiência está agendada para sexta-feira (22), na Corte da West Kinney St., no centro de Newark. Andréa tenta obter o vídeo da câmara de segurança de uma casa vizinha que registrou a prisão dela pelos dois policiais. A proprietária do imóvel, que também é senhoria dela, está em viagem de férias, mas um indivíduo responsável pela casa teria adiantado que liberaria às imagens para a brasileira, segundo ela.

. Cidade santuário?!

Durante a entrevista com o BV, Andréa questionou o status de Newark como “cidade santuário”, depois que os policiais a prenderam e a denunciaram ao ICE. “A cidade é santuário!? Isso é só fachada. Eu sou mãe solteira e tenho três filhas para criar. Se eles continuarem a agir assim, vão ter que levar praticamente a metade de Newark”, desabafou.

A brasileira relatou que ela e as filhas fazem tratamento psicológico devido ao trauma provocado pela violência doméstica.

. Autoridades:

Na segunda-feira (4), a equipe de reportagem do BV contatou o capitão do Departamento de Polícia de Newark, Adolfo Perez, e citou o incidente ocorrido com a brasileira e questionou sobre o status de “cidade santuário”.

“Eu estou tomando conhecimento disto agora, mas continuo a afirmar que Newark é uma cidade santuário”, disse Perez por telefone à equipe de reportagem do BV. O Capitão demonstrou interesse pelo caso e adiantou que tentará conversar com Andréa ou o advogado que a representa.

Na manhã de terça-feira (5), a equipe de reportagem do BV contatou via telefone os escritórios do Prefeito Ras Baraka e do Vereador Augusto Amador, mas não obteve retorno até o fechamento dessa edição.

 

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