Imigrantes brasileiros choram a morte do Sr. Lima em New Jersey
Eliomar Nogueira Lima, de 78 anos, lutava contra um câncer de pulmão em estágio avançado
Na noite da última sexta-feira, 3 de outubro, a comunidade brasileira de Newark, New Jersey, perdeu um dos seus membros mais estimados. Nos últimos 3 meses, Eliomar Nogueira Lima, 78 anos, natural de Fortaleza (CE), lutava contra um câncer de pulmão em estágio 3 (avançado) e estava internado na Unidade de Tratamento Intensivo – UTI do Hospital Saint Michael, centro de Newark.
Segundo Eliomar Nogueira Lima Júnior, popularmente conhecido como “Júnior”, há cerca de 1 mês seu pai vinha submetendo-se a um tratamento quimioterápico no Hospital Saint Michael, quando pegou uma pneumonia. Sentindo constante cansaço e fraqueza física, ele foi ligado a tubos que facilitavam a respiração, entretanto, mesmo depois de 2 semanas, Sr. Lima não demonstrou sinais de recuperação.
“Nós procuramos mantê-lo confortável. Os médicos nos informaram do estado dele e nós sabíamos que era grave (…) Ele pegou uma pneumonia e, por causa dos remédios tomados na quimioterapia, o corpo dele não reagiu”, explicou Júnior.
Ele lembrou que seu pai morou muitos anos no Rio de Janeiro, onde nasceram Júnior e sua irmã, Aliane, antes da família imigrar aos Estados Unidos aproximadamente há 25 anos atrás. O falecimento do Sr. Lima abalou a comunidade brasileira que não poupou carinho e gestos de solidariedade com sua família.
No último sábado (4), o falecimento do Sr. Lima foi assunto predominante em lanchonetes, lojas, bares e restaurantes da comunidade.
“Foi uma coisa maravilhosa. As pessoas compareceram em massa, alguns até provocaram tumulto no hospital para subir ao quarto dele. O carinho foi enorme, a quantidade de pessoas foi muito grande. As pessoas foram muito carinhosas com a minha mãe e conosco (…) Gostaríamos até de agradecer todo o apoio e carinho com a nossa família”, disse Júnior.
“Teve uma hora que uma enfermeira ficou impressionada com a quantidade de gente que ia vê-lo, então, ela me chamou em um canto e me disse que o meu pai espalhava amor por onde passava”, acrescentou ele emocionado.
Após saberem do falecimento do Sr. Lima, inúmeros amigos ligaram para a família em busca de notícias. “Muitos não acreditavam e perguntavam a gente se era verdade”, comentou Júnior.
Na última segunda-feira, 6 de outubro, foi realizada uma missa de corpo presente na Igreja St. Luiza, na 66 Fleming Avenue, no Bairro do Ironbound, em Newark – NJ, que contou com a presença de amigos, familiares e líderes comunitários. Conforme Júnior, respeitando a vontade do pai, seus restos mortais serão cremados e as cinzas seguirão para o Brasil para sepultamento.
Ao longo de vários anos, o Sr. Lima, como era carinhosamente conhecido entre os brasileiros, levava documentos de imigrantes residentes em New Jersey para serem renovados no Consulado-Geral do Brasil em New York. Atuando como uma espécie de “despachante informal”, a atividade o tornou ainda mais popular entre os residentes no Ironbound.
Ajuda à comunidade
Ele também foi sócio fundador da Brazilian American United Association – BAUA, com sede em New Jersey, e ocupou vários cargos na presidência da entidade.
A entrada e saída de pessoas não parou antes e depois do velório, realizado na Igreja St. Luiza, um verdadeiro testemunho da popularidade de um dos membros mais estimados em nossa comunidade. A missa foi conduzida por padres de 4 paróquias diferentes e os discursos e testemunhos emocionados refletiram o impacto que a ausência do carisma do Sr. Lima teve entre os brasileiros.
O serviço religioso terminou com uma homenagem inusitada feita pelo coro da igreja: A canção “Meu querido, meu velho, meu amigo”, de autoria de Roberto Carlos, seguida de uma salva de palmas.
Testemunho dos amigos
Antes e durante o encontro de confraternização, realizado após o velório na casa paroquial, os comentários de amizade e carinho foram constantes.
“Ele quase fazia parte da mobília, enfim, do que é o Consulado. Ele era muito alegre, é a foto dele, esse é o Sr. Lima. Essa alegria, esse sorriso, é impossível vê-lo de uma forma diferente. Nos dias do Consulado Itinerante, ele chegava, falava com todos, dava beijinhos, ia ao Consulado em New York e dava notícias de como estava o Itinerante aqui, era uma alegria”, comentou Luiza Bottechia, do Consulado-Geral do Brasil em New York.

“Conheço o Sr. Lima desde os 10 anos de idade, quando chegamos aqui. Não haviam muitos brasileiros e ele era a família que tinha os filhos praticamente da nossa idade, a Aliane e o Júnior. Lembro-me com muito carinho porque foi o Sr. Lima que me ensinou a andar de bicicleta. Na época, era ele a Dona Aila que andavam de bicicleta no Parque dos Mosquitos e nós morávamos na Adams St. Era o nosso convívio do dia-a-dia, inclusive, a minha mãe é madrinha da Aliane e do Júnior (…) Não há um cidadão brasileiro nessa comunidade que não o tenha conhecido e só temos coisas boas para falar e lembrar”, comentou Francine de Mello, proprietária da agência de viagem Francine’s Travel.
“Ele era uma pessoa extraordinária. Com ele estava sempre tudo bem. Ele era uma pessoa honesta, disposta e estava sempre alegre com tudo. Mesmo estando a sofrer, ele estava alegre e sempre ía ao Consulado, ele tinha aquele vício de ir ao Consulado, mantinha o hábito, mesmo com problemas ele ía. Eu o admirava, admirava muito”, disse o Sr. Vidal, velho amigo.
“Não tem igual, ele era um pai, um amigo, um colega, sempre alegre. Nesses 10 anos de América, tempo que o conheci, ele era o pai de todo mundo. Era uma pessoa muito alegre, nós o estamos perdendo aqui na terra, mas lá em cima Deus está ganhando uma alma maravilhosa, está ganhando um filho. Eu só tenho coisas boas para falar e pedir que Deus ponha um outro Sr. Lima na face da terra para ajudar as pessoas, porque estamos perdendo um grande homem que ajudava a comunidade”, comentou Umbelina Santos, ex-membro da diretoria da Brazilian American United Association – BAUA.
“Ele era uma pessoa muito boa. Ele estava sempre pronto para ajudar todo mundo. Tudo que eu pedisse ele fazia, não importava se estivesse frio, chovendo ou nevando. Como pessoa, acho que ele era um anjo que andava aqui na terra. Ele sempre se preocupava muito com os outros, ele me perguntava se eu já havia comido, se precisava buscar alguma coisa na rua. Ele se preocupava mais com os outros do que com ele mesmo, ele se preocupava com o bem-estar de todo mundo e menos com o dele. Isso descreve o Sr. Lima, acho que não haverá outro igual. Lembro-me do Sr. Lima sempre feliz, fazendo a festa e ajudando todo mundo”, comentou Julieta Correia, agente de viagens da agência BACC.
“O Eliomar Nogueira Lima é uma daquelas raríssimas pessoas que a gente pode dizer que não há quem não gostasse dele (…) Nós éramos vizinhos no Rio de Janeiro e posso afirmar que ele já está fazendo falta à toda a comunidade. Ele deu tudo que pôde de si, do seu tempo, do seu carinho, sua dedicação, não só através da igreja, como católico fervoroso que era, mas também através de seus serviços junto ao Consulado do Brasil. Extendo os meus sinceros sentimentos à família do falecido”, disse Renato Batista, velho amigo.
Missa de Sétimo Dia
A família de Eliomar Nogueira Lima avisa aos amigos que os padres Ézio e Bosco celebrarão a Missa de Sétimo Dia nesta sexta-feira, 10 de outubro, às 7:00 pm, nas instalações da Holy Trinity Epiphany Roman Catholic Church, na Adams Street, em frente ao Parque dos Mosquitos (Independence Park), no Bairro do Ironbound, em Newark – NJ.
