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ENTREVISTADO: ZÉ GERALDO

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O cantor e compositor Zé Geraldo acaba de lançar o cd “Catadô de Bromélias”, o 16º de sua carreira, pelo seu próprio selo “Sol do Meio-Dia”, Com mais de 30 anos de carreira, Zé Geraldo tem 15 discos lançados, fora coletâneas e compactos. Nascido em Rodeiro, na Zona da Mata mineira, e criado em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, o cantor e compositor Zé Geraldo caiu na estrada cedo. Com 18 anos foi estudar e trabalhar em São Paulo, ainda com o sonho de se tornar jogador de futebol. Mas, um acidente automobilístico mudou o rumo de sua história e, com pouco mais de 20 anos, suas jogadas foram transformadas em versos e canções.Canções como “Cidadão”, “Como Diria Dylan” e “Senhorita”, indispensáveis no repertório de seus shows, fazem parte de sua primeira safra de gravações, assim como "Rio Doce", com a qual Zé Geraldo participou do Festival MPB-Shell de 1980, e "Milho aos Pombos", que tornou o artista conhecido em todo o Brasil no mesmo festival promovido pela Rede Globo, em 1981. Duas de suas músicas foram temas de novelas da Rede Globo: "Semente de Tudo" (Livre para voar) e "São Sebastião do Rodeiro" (Paraíso).O primeiro DVD de Zé Geraldo, “Um Pé no Mato – Um Pé no Rock”, foi lançado em junho de 2006. Gravado Ao Vivo em 2005, no Teatro do Sesc Pompéia, em São Paulo, também saiu em cd. 

Zé Geraldo já se apresentou algumas vezes nos Estados Unidos e Canadá, onde foi bem recebido por brasileiros e latinos. No Brasil, seus versos são cantados em uníssono por um público fiel, que acompanha seus shows em Teatros, Feiras, Exposições e Ginásios. Como diria seu amigo, o cantor e compositor Guarabyra, “A sua voz ecoa nos rodeios e nas universidades fazendo sonhar, fazendo sorrir e dançar. Sem preconceito... É o inacreditável mundo de Zé Geraldo. Um brasileiro e tanto”.

 

No nosso Papo Dez de hoje, Zé Geraldo, um dos artistas mais autênticos de sua geração:Zé, como a música entrou em sua vida?

Era uma música simples, tocada pelos meus tios, na fazenda do meu avô.  Depois, quando me recuperava de um acidente automobilístico, aprendi alguns acordes no violão e comecei a compor. Não deu outra, né? 

Você escuta e chamada nova MPB? Quem são os artistas desta nova geração que tocam no seu I-pod?

Eu escuto tudo que cai em minhas mãos, pelo menos uma vez, mas escuto. Pra mim falta poesia no som atual, continuo escutando o que sempre escutei: muito rock, música caipira, a geração da minha filha Nô, Renato Teixeira, Almir Sater, Zeca Baleiro.  

Você tem uma filha cantora, a Nô Stoppa. Como é a relação de parceria – não a de pai e filha  mas a de dois artistas que cantam e fazem shows juntos -, entre vocês dois?

Eu me tornei pai depois dos trinta e tinha um grande receio de ter dificuldades na relação com as filhas. Qual nada, somos carne/unha. Com a Nô, então, basta a gente se olhar, não precisa dizer nada. É cumplicidade total. 

Muitos fãs de Raul Seixas passaram a acompanhar o seu trabalho após a morte do maluco beleza. A que você atribui esse fato?

Eu tava meio perdido e desanimado lá pelo meio dos anos 1980 quando percebi em minhas platéias muitos órfãos de Raul Seixas. Pensei, tô feito. Tinha pensado em largar tudo em virtude das dificuldades naquele momento e esta descoberta foi fundamental pra que eu tivesse forças pra seguir.  

Numa de suas canções você fala ter perdido a vontade de tocar em programas de tv como os de Gugu e Faustão. Quais são os seus motivos?

Não é que perdi a vontade de tocar em tais programas, é que eu cansei de bater às suas portas e chegou uma hora que resolvi dar o meu grito de independência, tipo, "vocês me deram as costas e eu também dou as costas pra vocês, somos todos felizes, cada um ao seu modo". Só isto.  

As gravadoras resolveram entrar no mercado de shows e querem agora uma parte significativa do cachê dos cantores. Zé Geraldo vai aderir à essa nova “moda”?

Me inclui fora desta, malandro. Acabei de lançar meu 16º trabalho e sou independente desde o 6º. Sem chance.   

Você se apresentou várias vezes para os brasileiros que vivem nos EUA. Como é a sua relação com esse público “exilado”?

Sempre me identifiquei com a galera que sai de casa  em busca de sua história. Em todas as minhas apresentações nos EUA sempre rolou encontros emocionantes, durante e pós shows. 

Você fez duas canções para estes brasileiros emigrados (Last Station Before New York e Clandestino em Nova York)... Fale-nos um pouco sobre essas canções.

Clandestino em NY eu fiz em minha primeira turnê americana em 1989, inspirado em amigos valadarenses que aí encontrei e a música conta a história, falando dos bairros da cidade etc..   Last Station Before NY é a continuação da história, é o sonho de um garoto mineiro, agora um caminhoneiro rodando pela América. 

Catadô de Bromélias, seu novo cd, já chegou às lojas especializadas. Fale-nos deste novo trabalho.

Representa o meu momento poético/musical,  um cd de canções inéditas, mais uma parceria com meu fiel escudeiro Tavares Dias (As canções do embornal), tem minha primeira parceria com meu irmãozinho maranhense Zeca Baleiro (Na barra do seu vestido), tem a música da minha filha Nô Stopa (Última reza), tem Bob Dylan (Mr tambourine man) e os meus versos nas canções restantes. 

Tantos anos após ter começado na carreira artística, qual é o balanço que faz de sua carreira?

Me sinto no meio de um pomar colhendo os frutos do que eu plantei nestes longos anos, é como atravessar um longo deserto e se sentir seguro pra seguir outros caminhos.

 

Acompanhe este comentário em Comentários (4 Incluído):

walther markov em 02/06/2009 15:38:21
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Tendo acompanhado a atragetória de diversos artistas como Carlos Moura, Bernardino Va-Bei, Roberto Barbosa, Auceu Valença e outros, Zé Geraldo foi um dos que mais fez albuns de Vinil... foram tantas cópias que ficavam boiando na feira do rato.. agora o conteúdo carnavalesco ficou a dever por não se tratar de um trabalho desse gênero... se destacaram anonimamente as musicas galope loucura de Va-bei, aché guerreiro de Roberto Barbosa, Carlos Moura, Pombo correio de Morais Moreira, Mas.. Geraldo é de uma outra linha concorrendo assim com Zé Ramalho se destacando com "cidadão" com compositor Pernambucano "viola cabaça rachada" Ivan e Maurício. que na maioria das músicas.. sem pe nem cabeça consecutivamente sem muito destaque popular. Bernardino Vá-bei com um acervo de músicas carnavalescas ainda está no anonimato apesar de Gênio.
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kevin em 02/06/2009 15:53:27
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Tenho 14 anos, gosto de boas músicas como Bestles, cpm 22, Nxzero, Mas... tendo assistido um show de Bernardino Vá-Bei aqui em Maceió fiquei maravilhado porque tenho um dvd de auceu do carnaval de olinda de 2008 percebí o quanto é importante o resgate desse gênero musical,,, Pôxa é eletrizante ver todo mundo pulando, bonecos enormes, a orquestra de metais, o frevo contagiante, os passistas de sobrinha se destacando na multidão a ciranda o tremzinho, os trompetes..cara Bernardino é exatamente a alma viva do carnaval de rua com um violão apenas e uma bateria eletrônica. acompanhado por alguns metais um surdão.. cara foram quatro horas de musicas de todos os tipos que eu nunca tinha ouvido... pena não haver discos para venda. cara dá vontade de virar casaca e ir a Marechal Deodoro aprender trompete para ser um carnavalesco como ele. thaw! Bernardinno Vá Bei é Porrada!!
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serena em 21/09/2009 13:14:16
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Sem sombra de duvida, o zé é o melhor compositor da história brasileira, pois ele é o unico que eu vejo tentando alertar as pessoas para os problemas do mundo, e suas musicas romanticas são poéticas e lindas. Que Deus abençoe muito esse cara!!!!!
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altair em 12/06/2010 13:11:03
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ze vc e o poeta da vida real, abracos a vc e roberto lima,e a todos leitores do BV
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Ze Geraldo - Cidadao.mp3

Ze Geraldo - Senhorita.mp3

Ze Geraldo - Clandestino em Nova York.mp3

Ze Geraldo - Eu Nao Tenho Nada com Isso.mp3

Ze Geraldo - Last Station Before New York.mp3

Ze Geraldo - Milho Aos Pombos.mp3

Ze Geraldo - Na Barra do Seu Vestido.mp3

Ze Geraldo - Porra Mano.mp3

Ze Geraldo - Rio Doce.mp3
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