Brasileira morre durante travessia entre os EUA e México

Foto17 Sirley Miranda Brasileira morre durante travessia entre os EUA e México
A mineira Sirley Miranda viajava com as duas filhas menores quando teria passado mal e morrido (Foto: Redes sociais)

Sirley Miranda, natural de São João do Oriente (MG), teria sofrido um infarto fulminante quando realizava a travessia perigosa

No último final de semana, a comunidade brasileira nos EUA ficou de luto. A notícia de que uma mineira morreu no sábado (7) deixou muitas pessoas entristecidas. Até mesmo quem não a conhecia, ficou comovido, pois tratasse da história de mais uma brasileira que estava disposta a sair de seu país de origem para oferecer uma vida melhor aos seus familiares. As informações são do jornal Brazilian Times.

Sirley Miranda é natural de São João do Oriente (MG) e, de acordo com as informações de amigos e familiares, ela morreu após atravessar a fronteira. Na ocasião, ela estava acompanhada das suas 2 filhas pequenas e teria passado mal, sofrendo um infarto.
A mineira era uma pessoa bastante trabalhadora e querida por quem a conhecia. Nas redes sociais, centenas de mensagens foram publicadas dando apoio à família e lamentando a morte súbita de Miranda. Uma internauta disse que ficou muito abalada quando soube do ocorrido.

“Ela estava correndo atrás do seu sonho e infelizmente não alcanço”, postou Jordelina Martins nas redes sociais.

Não foi informado em que região a brasileira morreu e nem para onde ela seguia com as filhas após atravessar a fronteira dos EUA e México. Conforme um conhecido, a mineira tem uma irmã que mora na cidade de Marlborough (MA). Também não divulgado pela família se haverá campanha para o traslado do corpo para sepultamento no Brasil e nem o paradeiro das duas filhas dela.

. Mais brasileiros mortos:

Sirley é mais um dos vários brasileiros que pereceram durante a perigosa travessia. Em 2018, aproximadamente 283 imigrantes de várias nacionalidades perderam a vida quando tentavam cruzar clandestinamente a fronteira entre os EUA e México, entre eles vários brasileiros. No início de julho desse ano, uma menina, nascida no Brasil e filha de uma haitiana, desapareceu durante a travessia no Rio Grande. O corpo da criança ainda não foi encontrado.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), o número de brasileiros que morrem tentando entrar clandestinamente nos EUA, seja pela fronteira terrestre ou marítima, não representa a realidade. Muitos casos não são contabilizados pelas autoridades, pois os registros têm como base as informações dadas por parentes e amigos dos brasileiros desaparecidos.

O aumento da segurança na fronteira sul dos EUA fez com que os traficantes de seres humanos (coiotes) busquem rotas cada vez mais remotas para fugir dos agentes da Patrulha da Fronteira (CBP). Essa estratégia pode resultar em mais mortes, porque os coiotes optam cada vez mais por caminhos mais ermos e inóspitos, ou seja, expondo os imigrantes a perigos maiores. Em 2016, 19 pessoas, incluindo brasileiros, desapareceram quando tentavam chegar clandestinamente na Flórida saindo das Bahamas. Até hoje, o paradeiro da embarcação onde estavam a bordo é desconhecido.

O número de migrantes que morreram ao tentar atravessar a fronteira entre o México e os EUA em 2017 permaneceu alto apesar da forte queda do número de prisões, disse a agência de migrações das Nações Unidas (ONU), em fevereiro de 2018.

Em comunicado, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) afirmou que os números da Patrulha de Fronteiras norte-americana indicam que 341.084 migrantes foram presos na fronteira sul do país em 2017, contra 611.689 em 2016; uma queda de cerca de 44%. No entanto, o ano de 2017 registrou 412 mortes, comparadas a 398 em 2016.

“O aumento das mortes é especialmente preocupante, já que os dados disponíveis indicam que bem menos migrantes entraram nos EUA via fronteira com o México no ano passado”, disse Frank Laczko, diretor do centro global de análises de dados sobre migração da OIM.

De acordo com a agência da ONU, a exposição prolongada a ambientes extremos na região fronteiriça, onde as temperaturas frequentemente atingem de 40º Celsius, combinada com a dificuldade de levar assistência àqueles em necessidade em áreas remotas, foram repetidamente citadas como as principais causas de mortes.

O estado do Texas, onde 191 mortes de migrantes foram registradas no ano passado, é uma área de particular preocupação, e o total de mortes no ano passado representa um aumento de 26% frente às 151 mortes registradas no estado em 2016, acrescentou o comunicado da OIM.

Ao mesmo tempo, apesar de os dados sobre mortes de migrantes na fronteira com o México estarem mais acessíveis do que em muitas outras regiões do mundo, eles permanecem incompletos, e o número de mortes registradas pela Patrulha de Fronteiras inclui apenas aqueles com os quais os agentes lidam diretamente.

“Isso significa que os dados reportados nacionalmente podem seriamente subestimar o número real de mortes”, disse Julia Black, coordenadora de dados do projeto sobre migrantes desaparecidos da OIM.

A OIM também informou que a maioria das mortes de migrantes registradas pelo projeto ocorreu no lado norte-americano da fronteira, no entanto, uma razão para isso pode ser o fato de que patrulheiros, médicos e xerifes dos EUA sejam mais propensos a registrar regularmente dados sobre mortes de migrantes à ONU. Informações sobre as mortes ocorridas no lado sul da fronteira frequentemente são divulgadas localmente por estações de rádio e pequenos jornais, ou nas mídias sociais, disse a agência, afirmando que a informação pode surgir semanas ou até meses depois de terem ocorrido.

Desde o início do projeto da OIM sobre migrantes desaparecidos, a agência da ONU registrou 1.468 mortes na fronteira entre EUA e México, incluindo 14 mortes em janeiro de 2018.

 

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