Brasileiros correm para investir mais de R$ 2 milhões nos EUA

Foto33 Visto EB 5 Brasileiros correm para investir mais de R$ 2 milhões nos EUAA partir de 21 de novembro, os EUA aumentarão o valor mínimo do visto EB-5 para US$ 900 mil, ou seja, cerca de R$ 3,6 milhões na cotação atual

Como um professora titular de uma conceituada universidade pública, Erika Nogueira de Andrade Stupiello, de 44 anos,  Stupiello nunca planejou sair do Brasil, mas graças ao amor do filho dela, Bruno, por aviões, ela está reconsiderando suas opções. Depois que o jovem de 15 anos definiu seu coração em uma carreira na aviação, ficou claro que ele precisaria estudar nos EUA a fim de alcançar seus sonhos. É por isso que em abril passado, Stupiello e o marido, um executivo da indústria de etanol, investiram US$ 500 mil no Surf Club Four Seasons Hotel & Residences em Miami Beach (FL) e entrou com a papelada e uma aplicação para o visto EB-5.

“Estamos fazendo isso por ele”, diz Stupiello. “É como dar a ele sua herança antes do tempo”.

Bruno já está na Flórida, completando o ensino médio com um visto F1, explica Stupiello. Conseguir um green card permitirá que ele ganhe bolsas de estudo, faça faculdade nos EUA e talvez um dia se junte à Força Aérea dos EUA. Isso também significa que Erika não terá que se preocupar com o filho saindo de casa em São José do Rio Preto, uma cidade pacífica, para estudar em uma das principais e mais perigosas cidades do Brasil.

“Ele poderá estudar em uma boa cidade e se sentir seguro, em vez de estudar em uma cidade grande do Brasil, onde eu ficaria muito preocupada com a violência”, explica Stupiel.

Essas histórias são cada vez mais comuns no Brasil, onde a conscientização sobre o programa EB-5 aumentou acentuadamente nos últimos anos. Entre 1990 e 2007, apenas 14 investidores brasileiros receberam vistos EB-5, de acordo com o relatório da IIUSA. Agora, no entanto, o Brasil é a 5ª maior fonte mundial de investidores do EB-5 e o maior contribuinte fora do sudeste da Ásia.

A corrida contra o relógio se deve ao fato de que o valor atual do EB-5, que exige investimento de US$ 500 mil (mais de R$ 2 milhões, na cotação atual) do interessado no visto, vai ser reajustado a partir de 21 de novembro. A partir dessa data, a quantia mínima a ser investida sobe para US$ 900 mil; cerca de R$ 3,6 milhões na cotação atual. Apesar de oficializado agora, o aumento é discutido há anos. O interesse pelo programa teve expressivo aumento, por quem ainda quer se inscrever pelo valor vigente.

Somente no Ano Fiscal 2016, os brasileiros investiram US$ 79 milhões em projetos que qualificam para o visto EB-5; sendo concedidos 150 vistos, De acordo com dados do Departamento de Estado, ou seja, quatro vezes mais do que no ano anterior.

“Em 2012, a pergunta mais comum que me fizeram foi ‘Isso é legal?’”, Diz Renata Castro, sócia-gerente do Castro Legal Group, em Pompano Beach (FL). “Eles pensavam que era algum tipo de esquema”. Entretanto, recentemente o programa EB-5 ganhou reconhecimento muito mais amplo. “Agora, estou recebendo perguntas mais sofisticadas sobre a estrutura, os empregos criados e a probabilidade de obter um green card permanente”, diz ela. “O Brasil está se tornando um mercado muito mais maduro”.

O aumento na atividade do EB-5 é o produto do boom econômico e do colapso econômico do Brasil, diz Luciana Zamith Fischer, advogada de imigração em Miami (FL). Em 2010, a economia do Brasil cresceu 7.5%, a maior taxa desde meados dos anos 1980, mas o crescimento caiu de forma constante desde então e, em 2015 e 2016, a economia contraiu mais de 3.5%. Isso significa que muitos brasileiros que ficaram ricos durante os bons anos agora estão sendo prejudicados pela crise econômica, escândalos políticos e aumento da criminalidade, diz Zamith Fischer. Como resultado, um grande número de brasileiros possui os recursos e a motivação para usar o programa EB-5. “As pessoas sentem que a prosperidade de 2010 deveria ter se voltado para melhores serviços e infraestrutura”, diz ela. “As pessoas estão desiludidas e querem sair”.

Cerca de 8 mil milionários deixaram o Brasil em 2016, a 3ª maior saída mundial, de acordo com o relatório New World Wealth, com São Paulo sozinho perdendo mais de 3 mil milionários. “A desaceleração da economia local, o vírus Zika e o aumento dos índices de criminalidade estão empurrando muitos milionários fora do país”, diz Andrew Amoils, chefe de pesquisa da New World Wealth.

 

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