Combate aos imigrantes pode deixar idosos sem acompanhantes

Foto24 Acompanhantes e tecnicos de enfermagem Combate aos imigrantes pode deixar idosos sem acompanhantes
Atualmente, 10 mil “Baby boomers” completam 65 anos todos os dias nos EUA

O déficit nacional de 151 mil trabalhadores poderá ocorrer até 2030; que aumentará para 355 mil até 2040

Após o plantão de 8 horas no escritório de um quiroprata e um centro de reabilitação física, a haitiana Nirva chega em frente à residência de uma idosa no instante de ajuda-la a subir as escadas. Ela segura um dos braços da mulher, um degrau de cada vez, respirando para aliviar a dor nos quadris. No topo do lance de escadas, elas param para um abraço.

“Olá Bella”, disse Nirva, usando a palavra “bonita” em italiano. “Hi baby”, responde Isolina Dicenso, uma idosa de 96 anos que ela ajuda a cuidar nos últimos 7 anos.

As duas mulheres possuem sotaques dos seus países de origem: Nirva imigrou aos EUA depois de um terremoto que arrasou o Haiti em 2010. Já Dicenso imigrou da Itália em 1949. Ao longo dos anos, Nirva, de 46 anos, tem ajudado a idosa a viver independemente, dando-lhe banho, mudando as roupas dela, lavando as janelas, levando-a aos parques favoritos dela e idas à mercearias e lojas de desconto. Agora, Dicenso e outras pessoas que possuem deficiências físicas, doenças graves e a fragilidade da idade avançada correm o risco de perderem seus acompanhantes devido à política federal de imigração.

Nirva é uma dos 59 mil haitianos que vivem nos EUA sob io “Status Temporário de Proteção” (TPS), um programa humanitário que concede permissão para trabalhar e viver no país desde um terremoto em 2010 arrasou o país. Muitos deles trabalham nos cuidados de saúde, geralmente, em atividades pesadas e de salários baixos como assistentes de enfermagem ou acompanhantes. Agora, os dias desses trabalhadores estão contados: A administração Trump decidiu acabar o TPS para os haitianos. O Presidente determinou que eles têm até 22 de julho de 2019 para sair dos EUA ou enfrentarem a deportação.

“Nós estamos muito preocupados com a possibilidade de perder esses indivíduos trabalhadores e dedicados; particularmente numa época em que não podemos nos dar ao luxo de perder trabalhadores”, disse Tara Gregório, da Associação de Cuidados aos Idosos de Massachusetts. No estado, 1 entre 7 vagas de auxiliar de enfermagem certificado (CNA) está vaga, um déficit de 3 mil trabalhadores, acrescentou.

Em todos os EUA, 1 milhão de imigrantes trabalharam nos serviços de cuidados de saúde, ou seja, como CNA, cuidados pessoais acompanhantes nas casas, segundo o Paraprofessional Healthcare Institute, uma organização sediada em Nova York que estuda a mão-de-obra. Os imigrantes totalizam 1 entre 4 trabalhadores, detalhou Robert Espinoza. A rotatividade é alta, pois o trabalho é difícil e os salários baixos. O salário médio de um acompanhante é de US$ 10.66 a hora e US$ 12.78 a hora para os CNA. Os profissionais geralmente recebem pouco treinamento e deixam a função quando descobrem salários mais altos em balcões de lojas e lanchonetes.

Os EUA enfrenta a falta severa de acompanhantes. Com 10 mil “Baby boomers” completando 65 anos todos os dias no país, a carência de profissionais tende a se agravar mais ainda, previu Paul Osterman, professor do da Escola de Administração Sloan do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). A expressão “baby boomers” determina os americanos que nasceram entre as décadas de 40 e 50 e estão atingindo a idade mínima para a aposentadoria. Ele prevê o déficit nacional de 151 mil trabalhadores até 2030; que aumentará para 355 mil até 2040. Essa falta de mão-de-obra se agravará se os imigrantes perderem a permissão de trabalho ou se outros ramos econômicos aumentarem os salários para atrair os trabalhadores.

 

 

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